Geração Z ainda quer carro. O que mudou foi o caminho até ele

Geração Z ainda quer carro. O que mudou foi o caminho até ele

25,3% dos jovens de até 29 anos demonstram afinidade com financiamento de veículos

A ideia de que a geração Z perdeu o interesse pelo automóvel não conta a história inteira. Levantamento da Serasa Experian mostra que 25,3% dos brasileiros de até 29 anos têm afinidade com financiamento de veículos, ante 14% com crédito imobiliário. O carro continua no radar. O que parece ter mudado é o caminho até ele.
Para Will Costa (foto), CMO e cofundador da WC&A, empresa especializada em marketing de influência e performance, o desafio do setor já não se resume a apresentar modelos, tecnologias ou atributos de produto. O automóvel passou a disputar a atenção dos jovens com viagens, tecnologia, moda, games, shows e uma infinidade de outras possibilidades de consumo.
Isso ajuda a explicar por que a aproximação com esse público começa a acontecer também fora dos ambientes tradicionalmente ligados aos carros. Música, esporte e entretenimento podem ser o primeiro contato com uma marca muito antes de existir qualquer intenção de compra.
O Festival Interlagos 2026, realizado no fim de agosto, em São Paulo, mostrou esse movimento na prática. Ao lado de montadoras, lançamentos e test-drives, o evento reuniu nomes como Matuê, L7nnon, Dubdogz e Ja Rule.
A programação colocou no mesmo espaço públicos que não necessariamente chegaram ali pelo mesmo motivo. Enquanto parte dos visitantes estava interessada nos carros e na pista, os shows atraíram uma audiência que talvez não fosse a um evento exclusivamente automotivo.
Na avaliação do especialista, essa mistura é relevante justamente porque amplia as possibilidades de contato com uma categoria que, durante décadas, não precisou buscar tantas outras referências para produzir desejo.
“O jovem pode continuar desejando um carro, mas esse interesse não nasce necessariamente de uma campanha de automóvel. A questão deixa de ser apenas como mostrar o produto e passa a ser como fazer parte do repertório das pessoas”, diz Will.

Da exposição à vivência

Também mudou a maneira de apresentar o próprio carro. Em Interlagos, os estandes dividiram espaço com test-drives e atividades de pista, permitindo que parte do público saísse da posição de espectador.
Há uma diferença importante entre ver e experimentar. Entrar no carro, sentir a pista, conhecer os bastidores ou ter contato com quem vive o automobilismo produz uma lembrança que dificilmente seria criada apenas diante de um veículo exposto.
Essa aproximação não termina no autódromo. A parceria entre Texaco e Approve é outro exemplo. Referências de uma marca centenária ligada ao setor automotivo foram levadas para o streetwear, com elementos de sua história, tradicionalmente associados a postos, oficinas e competições, incorporados à moda.
O caso mostra que uma empresa não precisa abandonar sua identidade para conversar com um público mais jovem. Precisa encontrar uma linguagem e um ambiente em que essa aproximação faça sentido. Para Will, é justamente aí que está a diferença entre aderir a uma tendência e construir uma presença legítima. Quando a relação parece forçada, o consumidor percebe.

A disputa começa antes da compra

Durante décadas, ter um carro esteve diretamente associado a independência, conquista e status. Esses desejos não desapareceram, mas hoje dividem espaço com outras escolhas. Para a indústria automotiva, a concorrência por atenção começa muito antes da comparação entre marcas e modelos.
Isso não significa deixar de falar com quem já gosta de carros. Significa encontrar maneiras de entrar na vida de quem ainda está formando suas preferências.
A discussão ganha peso conforme a geração Z envelhece, aumenta sua renda e se aproxima de decisões de compra de maior valor. Quando chegar a hora de escolher um veículo, parte da relação com determinada marca pode ter começado anos antes, em um show, uma experiência, uma colaboração de moda ou outro ambiente aparentemente distante de uma concessionária.
“O mercado costuma perguntar se o jovem ainda quer ter carro. Talvez a pergunta mais importante seja outra: o que fará esse jovem desejar determinada marca quando chegar o momento da compra? Quem começar essa conversa apenas no fim da jornada provavelmente já chegou atrasado”, conclui Will.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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