Fazenda define metodologia de cálculo da CBS e IBS sobre combustíveis

Fazenda define metodologia de cálculo da CBS e IBS sobre combustíveis

Portaria determina que biocombustíveis e hidrogênio verde terão alíquotas inferiores às aplicadas aos combustíveis fósseis

O governo federal publicou nesta segunda-feira (05) a Portaria Conjunta MF/CGIBS nº 14/2026, que estabelece a metodologia de cálculo da carga tributária da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) aplicável aos combustíveis no regime específico previsto pela Lei Complementar nº 214, norma central que regulamenta a primeira fase da Reforma Tributária sobre o consumo no Brasil. A regra alcança gasolina, etanol anidro e hidratado, diesel, biodiesel, GLP, querosene de aviação, gás natural, biometano e outros derivados, com recolhimento obrigatório por produtores, refinarias e importadores.

A portaria fixa que, em 2027, a carga tributária da CBS não poderá superar a soma da carga direta — correspondente ao PIS/Cofins incidente entre julho de 2025 e junho de 2026, atualizada pelo IPCA — e da carga indireta, que inclui PIS/Cofins, IPI e IOF-Seguro sobre insumos não recuperáveis como crédito, também corrigidos pelo índice oficial de inflação.

A partir de 2028, o teto da carga tributária será reajustado com base no Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF), divulgado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Já em 2029, o IBS começará a ser cobrado de forma progressiva, tomando como referência percentuais da carga direta e indireta apurada entre julho de 2027 e junho de 2028.

Em consonância com diretrizes constitucionais e políticas de transição energética, a portaria determina que biocombustíveis e hidrogênio verde terão alíquotas inferiores às aplicadas aos combustíveis fósseis, variando entre 40% e 90% da alíquota base. As alíquotas finais e seus cálculos serão divulgados posteriormente, marcando mais um avanço na implementação da reforma tributária em um dos setores mais estratégicos da economia brasileira.

Pontos sem solução

Para o advogado tributarista Leandro Genaro, sócio fundador do MLGE Advogados Associados, embora a portaria represente um passo relevante, ainda deixa pontos sensíveis sem solução. “A Portaria Conjunta garante um teto da carga tributária, mas não a neutralidade da tributação prometida pela Reforma Tributária”, afirma Genaro.

Segundo ele, ao incorporar resíduos tributários de insumos — como PIS/Cofins, IPI e IOF — a norma mantém elementos que deveriam desaparecer na nova sistemática de tributação sobre consumo. Genaro também alerta para um potencial conflito jurídico que poderia ter sido evitado.

“A Constituição Federal e a própria portaria asseguram a anterioridade tributária. Qualquer aumento de carga só produz efeitos após 90 dias da publicação. Mas hoje é 5 de outubro e ainda não sabemos a alíquota da CBS. No início de janeiro, não haverá segurança jurídica para tributar combustíveis: PIS e Cofins já estarão extintos, e a CBS ainda não poderá ser cobrada enquanto aguardamos os 90 dias após a publicação das alíquotas”, afirma.

Para o especialista, o cenário exige atenção imediata do governo e do setor produtivo, sob risco de um vácuo tributário que afetaria operações essenciais da cadeia de combustíveis.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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