Peso do serviço da dívida cresce 20% em 10 anos e muda análise de crédito no varejo

Peso do serviço da dívida cresce 20% em 10 anos e muda análise de crédito no varejo

Com famílias mais comprometidas, uso de dados transacionais ganha espaço na avaliação financeira dos clientes

O varejo brasileiro avança em duas velocidades em 2026. Desde dezembro, os setores mais sensíveis à renda cresceram 6,9%, quase cinco vezes o avanço de 1,4% registrado pelas categorias mais dependentes de crédito, segundo o Índice de Varejo Stone. A diferença ajuda a explicar por que a recuperação do consumo ocorre de maneira desigual: enquanto o dinheiro disponível das famílias sustenta as compras, o custo do financiamento ainda limita segmentos que dependem de crédito.

No recorte anual, os setores ligados à renda também apresentam vantagem, com alta de 8,4%, ante 5,4% dos setores sensíveis ao crédito. No varejo restrito, o volume de vendas cresceu 1% em agosto, na comparação mensal, e 6,7% em relação ao mesmo mês de 2025.

A pressão aparece também na capacidade financeira das famílias. O comprometimento da renda com o serviço da dívida, que considera os pagamentos relacionados aos empréstimos e financiamentos, chegou a 28,9% em junho de 2026, o maior nível da série histórica indicada pelo levantamento e 1,7 ponto percentual acima de junho de 2025. Na comparação com uma década antes, o indicador avançou cerca de 20% em termos relativos, reforçando a mudança no espaço disponível para novas obrigações financeiras.

Para empresas que concedem ou intermediam crédito, esse cenário aumenta a importância de informações capazes de complementar os modelos tradicionais de avaliação. Histórico de pagamentos, frequência de compras e comportamento transacional podem ajudar a entender com maior precisão o perfil financeiro de cada consumidor, especialmente em negócios que mantêm relacionamento recorrente com seus clientes.

“O desafio das empresas não é apenas oferecer financiamento, mas entender para quem, quando e em quais condições esse crédito faz sentido. Quando uma companhia conhece o histórico de relacionamento, o comportamento de pagamento e a frequência de consumo, ela passa a ter informações que ajudam a tomar decisões financeiras mais precisas”, afirma Letícia Moschioni, sócia da Finscale.

Para a executiva, o movimento amplia o espaço para soluções financeiras integradas à própria jornada de compra, em vez de tratar crédito e pagamentos como serviços separados da operação principal. A mudança ocorre enquanto o mercado de juros passa por um ciclo de flexibilização monetária, mas ainda com efeitos defasados sobre o custo do financiamento. O próprio Índice Stone aponta que, com a transmissão da política monetária ocorrendo gradualmente, o crescimento do varejo em 2026 permanece mais dependente da renda do que do crédito.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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