Fim de ano deve ter 530 mil empregos temporários

Fim de ano deve ter 530 mil empregos temporários

Projeção da Asserttem para o 4º trimestre supera em 1,5% o mesmo período de 2025

A Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem) projeta 530 mil contratos temporários entre outubro e dezembro, alta de 1,5% em relação aos 522 mil do mesmo período de 2025, segundo divulgação de 7 de outubro.

A entidade estima que cerca de 500 mil temporários foram efetivados em 2025, o que corresponde à taxa média do setor, de cerca de 20%. Neste fim de ano, a avaliação de quem fica vai acontecer em plena Black Friday, marcada para 27 de novembro, e no Natal.

No comércio e serviços, a pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil prevê cerca de 130 mil vagas temporárias e efetivas, 12 mil a mais do que em 2025. O contrato temporário dura, em média, 2,4 meses, e novembro concentra 24% das contratações, segundo a CNDL. Do total previsto, 39% das contratações serão por tempo indeterminado.

Para Karin Priscila do Rosário, gerente de Recursos Humanos da Twygo, plataforma de treinamentos corporativos, vale a pena treinar quem pode não ficar. Segundo ela, o temporário chega no período de maior movimento do ano e, para o cliente, ele é a loja. “Um erro no caixa ou uma troca mal feita numa Black Friday custam muito mais do que algumas horas de treinamento”, afirma.

A recomendação dela é ensinar o essencial, em conteúdos curtos. “No fim das contas, você pode estar treinando o seu próximo funcionário”, destaca.

1 em cada 5 são efetivados

O balanço de 2025 da Asserttem indicou mais de 2,5 milhões de contratos temporários em 2025, alta de 4,5% sobre 2024, e 522 mil deles foram fechados entre outubro e dezembro.

De acordo com a Associação, historicamente, um em cada cinco temporários é efetivado após o término do contrato. O levantamento apontou o comércio eletrônico e a logística como os principais motores, ao lado das grandes redes do varejo, da agroindústria e do turismo.

No comunicado da pesquisa da CNDL, o presidente da entidade, José César da Costa, afirmou que as vagas temporárias “representam uma verdadeira vitrine de talentos, servindo como uma importante porta de entrada para que muitos profissionais conquistem a estabilidade e sejam efetivados em definitivo pelas empresas”.

“A vaga e o orçamento definem quantos ficam. O treinamento ajuda a definir quem”, menciona Karin. Segundo ela, quando todos passam pelo mesmo conteúdo, a comparação fica justa, e a decisão deixa de ser “de quem eu gostei mais” e passa a ser “quem aprendeu, quem aplicou, quem evoluiu”.

A gerente sugere uma trilha com o conteúdo obrigatório, realizado dentro da jornada, e conteúdos complementares opcionais sobre produtos, técnicas de venda ou o próprio negócio. “Quem vai atrás do conhecimento sem que ninguém peça está mostrando curiosidade e vontade de crescer ali dentro. É um sinal que nenhuma entrevista de seleção consegue mostrar, e que pesa a favor na hora de decidir quem fica”, afirma.

O combinado do primeiro dia

Na avaliação de Karin, a loja deve informar, no primeiro dia, o que conta para a efetivação e quando sai a decisão. “O critério de que você fala no primeiro dia é o critério justo”, afirma. A conversa inclui a função, quem vai acompanhar o temporário, o que ele vai aprender, como será avaliado e a data da decisão. Se a loja já sabe quantas vagas tem, a sugestão é informar também.

Karin menciona o estudo “Journal of Workplace Learning”, publicado em 2025, segundo o qual a pessoa aplica muito mais o que aprendeu quando entende a relação entre o conteúdo e a tarefa real e quando tem um gestor por perto que a apoia.

Para que a efetivação não vire promessa, a gerente separa o desempenho, que depende da pessoa, da vaga, que depende da loja. “Eu oriento os gestores a não usar a efetivação como motivação, aquele ‘se continuar assim, você fica’. Isso vira promessa sem a pessoa perceber”, ressalta. A alternativa é dar retorno ao longo do contrato, para que ninguém seja pego de surpresa no fim.

Segundo a CNDL, 47% das empresas que contratam temporários vão reforçar a equipe com um único profissional, e a média é de 1,52 temporário por empresa.

Nesses casos, segundo Karin, quem avalia é quem está ao lado no dia a dia, como o dono, o gerente ou um vendedor mais experiente que sirva de referência. Bastam os critérios combinados no primeiro dia, uma conversa individual a cada duas semanas e um exemplo concreto do atendimento.

“O que precisa ficar registrado são os treinamentos concluídos, as conversas de retorno e a decisão final, com o respectivo motivo. Esse registro protege a loja e o trabalhador e não pode depender da memória do dono”, diz.

Ela cita outro estudo, do Gallup, de 2025 com mais de 15 mil trabalhadores americanos. Entre quem teve alguém acompanhando o próprio desenvolvimento, quase metade se dizia muito satisfeita com o trabalho, contra 29% entre quem não teve.

Só um terço de quem trabalha em empresas muito pequenas vê oportunidade de crescimento. “Para a loja pequena, isso é um alerta e também uma oportunidade”, afirma.

Antes de treinar, a loja define dois ou três comportamentos observáveis, como oferecer um produto complementar ou fechar o caixa sem diferença. “Em 10 semanas, o caminho mais seguro é a observação. Uma semana depois do conteúdo, alguém observa o atendimento por alguns minutos e conversa com a pessoa. Repetindo isso umas três vezes no contrato, você enxerga a evolução, e ela diz muito mais do que uma nota isolada”, analisa.

Caixa tem prazo para treinamento

O caixa responde por 9% da demanda nas contratações de fim de ano previstas pela CNDL.

Para quem trabalha no checkout de supermercados e de atacados, o anexo da Norma Regulamentadora 17 (NR-17) prevê que cada trabalhador deve receber um treinamento inicial, com duração mínima de duas horas, até o trigésimo dia após a data de admissão, ministrado durante a jornada de trabalho.

Karin sugere começar pelo que o temporário precisa saber no dia 27 de novembro e cuidar primeiro do obrigatório. No caixa, o treinamento previsto no anexo trata de posto de trabalho, manipulação de mercadorias, organização do trabalho e das lesões mais comuns na função.

“Não faz sentido a pessoa passar pelo dia mais puxado do ano sem saber se proteger”, afirma. Conforme a recomendação dela, o obrigatório entra na primeira semana, junto com a integração.

Depois vêm o produto, com o que mais vende, as campanhas e as regras de troca, e, na última semana, a prática acompanhada. “Na loja, a vivência prática é insubstituível, e acompanhar um colega no atendimento ensina muito”, destaca.

O formato online, segundo a gerente, evita tirar outra pessoa da atividade para ensinar, o que pesa numa loja com equipe enxuta às vésperas da Black Friday. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), mais da metade das horas de treinamento no Brasil já ocorrem online. A sugestão é de conteúdos de dez a quinze minutos, feitos pelo celular no início do turno ou na hora mais calma, sempre dentro da jornada.

Para Karin, “o presencial fica para o que realmente precisa ser presencial, como a prática no caixa e o atendimento acompanhado”.

Depois do Natal

Segundo Karin, quem é efetivado leva consigo tudo o que foi registrado, como cursos, avaliações e evolução. “Quando o temporário é contratado por meio de agência e depois efetivado pela empresa onde trabalhou, a Lei nº 6.019 não permite contrato de experiência”, afirma. Para ela, o período temporário já foi o teste, e o registro é tudo o que a empresa tem dele.

De acordo com a gerente, faltam completar os conteúdos do cargo, como estoque, pós-venda, metas e cultura da empresa. Ela recomenda que o novo funcionário não refaça a integração por completo. “Nada desmotiva mais quem acabou de ser escolhido”, completa.

“Esse é um talento que a empresa já selecionou e treinou. Seria um desperdício perder”, afirma Karin, sobre o temporário bem avaliado que não foi efetivado por falta de vaga.

A sugestão é dizer, com todas as letras, que a avaliação foi boa e que a decisão foi por falta de vaga, e colocar a pessoa num banco de talentos, com prioridade na próxima vaga ou na próxima temporada. “Quem sai bem tratado volta, indica conhecidos e continua como cliente da loja”, conclui.

Crédito da imagem – Magnific

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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