Política no WhatsApp da empresa: o que funcionários e gestores devem evitar durante as eleições

Política no WhatsApp da empresa: o que funcionários e gestores devem evitar durante as eleições

Com a aproximação do segundo turno , discussões em grupos corporativos desafiam empresas e colocam RH no centro da prevenção de conflitos

A duas semanas do segundo turno das eleições de 2026, as discussões políticas começam a ocupar também grupos de WhatsApp, Teams, Slack e outros canais usados no ambiente profissional. O movimento traz uma questão para empresas e profissionais de RH, que é sobre até onde vai a liberdade de manifestação do funcionário e quando uma conversa política começa a interferir nas relações de trabalho.

O assunto ganhou força neste mês. Em setembro, o Ministério Público do Trabalho intensificou ações de prevenção ao assédio eleitoral. Em São Paulo, o MPT firmou um Termo de Ajuste de Conduta após apurar um evento empresarial no qual candidatos apresentaram suas candidaturas e distribuíram material eleitoral a trabalhadores. O acordo prevê medidas para prevenir práticas de assédio eleitoral.

No ambiente digital, a situação exige atenção ao contexto. As regras eleitorais de 2026 vedam propaganda eleitoral em sites de pessoas jurídicas, enquanto mensagens privadas e consensuais enviadas por pessoas físicas em grupos restritos recebem tratamento distinto. Para as empresas, porém, a preocupação vai além da legislação eleitoral. Mesmo uma conversa iniciada informalmente pode se tornar um problema de gestão quando provoca constrangimento, hostilidade ou prejuízo à convivência profissional.

“Uma empresa não deve tentar controlar em quem seus colaboradores votam ou quais posições políticas defendem. O papel do RH começa quando a forma como essas opiniões são manifestadas interfere na convivência, constrange outras pessoas ou utiliza uma relação hierárquica para exercer pressão. A regra precisa valer independentemente de candidato, partido ou posição política”, afirma Gustavo Chehara, CEO da Joyn Benefícios.

A atenção deve ser ainda maior quando a manifestação parte de uma liderança. Uma mensagem enviada por um colega e a mesma opinião compartilhada por alguém responsável por avaliações, promoções, remuneração ou permanência na empresa podem produzir efeitos diferentes sobre a equipe. Por isso, orientar gestores antes do período mais intenso da campanha pode evitar que manifestações pessoais sejam percebidas como pressão institucional.

Orientações do RH

Segundo Chehara, o RH também pode estabelecer orientações para canais corporativos e manter espaços seguros de escuta para quem se sentir pressionado ou constrangido. “O RH não precisa virar fiscal das conversas privadas dos funcionários. Mas, se um conflito que começou em um grupo passa a afetar a equipe, gerar reclamações ou prejudicar relações profissionais, ele também se torna uma questão de gestão.”

Além dos conflitos imediatos, empresas devem observar possíveis reflexos no clima e no bem-estar das equipes. Pesquisas de clima, absenteísmo, afastamentos e indicadores agregados de utilização de benefícios de saúde podem ajudar a identificar mudanças coletivas, sem monitorar opiniões individuais.

“As pessoas não precisam concordar politicamente para trabalhar juntas. O papel da empresa é garantir que uma divergência continue sendo uma divergência e não se transforme em intimidação, discriminação ou prejuízo profissional”, conclui Chehara.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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