Em véspera de eleição, Ibovespa sobe 0,47% e dólar cai para R$ 4,99

Ruídos políticos, inflação e tensões geopolíticas elevam a volatilidade global
A semana no mercado financeiro foi marcada por forte instabilidade tanto no ambiente doméstico quanto no internacional. Nesta sexta-feira (23) o Ibovespa fechou alta de 0,47%, aos 205.083 pontos. O dólar comercial caiu 0,92%, sendo cotado a R$ 4,99.
Numa semana de oscilação e de forte pressão, com os investidores atentos ao cenário eleitoral brasileiro e aos resultados das empresas, o Ibovespa acumulou perda de 0,17%. O dólar comercial caiu 1,58% nos últimos cinco dias.
A divulgação do IPCA-15 trouxe um alívio pontual, puxado principalmente pela desaceleração do preço das passagens aéreas, mas a inflação de serviços seguiu pressionada, o que limita leituras mais otimistas em relação aos preços no curto prazo. Além disso, a proximidade do calendário eleitoral e o acirramento das pesquisas de intenção de voto aumentaram a cautela e a volatilidade dos ativos locais.
Petróleo sobe mais de 3%
No cenário externo, a escalada dos conflitos envolvendo a Arábia Saudita e os rebeldes houthis impulsionou os preços do petróleo aos maiores patamares desde junho de 2022. O barril de petróleo encerrou a semana cotado a US$ 116,85, com alta de mais de 3%.
Em paralelo, temores sobre possíveis excessos de valuation em empresas do setor de tecnologia reduziram a atratividade por risco, afetando o desempenho das principais bolsas globais.
Avaliando o panorama geral do mercado, Rafael Pastorello, Portfolio Manager do Banco Sofisa, destaca o ambiente defensivo e os desafios enfrentados pelos investidores. “A divulgação do IPCA-15, embora tenha vindo abaixo das expectativas do mercado, refletiu principalmente o alívio observado em passagens aéreas, enquanto a inflação de serviços permaneceu pressionada, limitando uma leitura mais construtiva para a trajetória dos preços no curto prazo. Ainda assim, o principal foco de atenção doméstico esteve na aproximação do calendário eleitoral, que intensificou a volatilidade dos ativos ao longo da semana diante de pesquisas que seguem indicando uma disputa acirrada entre os presidenciáveis”.
Paralelamente, as preocupações com possíveis excessos de valuation no setor de tecnologia voltaram ao foco dos mercados, reduzindo o apetite por ativos ligados ao segmento e pressionando o desempenho das bolsas globais.
“Apesar do cenário favorável, a volatilidade se fez presente, refletindo tanto a aversão ao risco no exterior quanto às incertezas do cenário doméstico”, destaca Rafael Pastorello.








