Ano sabático é tendência entre as empresas
Análise realizada pela Escola de Marketing Industrial (EMI) aponta que, enquanto a indústria brasileira está dando marcha ré, as empresas mais atentas buscam desenvolver competência em criar valor – revisitando as suas atitudes e “azeitando” a sua capacidade de servir, o que as colocam mais próximas de seus clientes. “Como a atual conjuntura econômica brasileira está impedindo as empresas de expandirem seus negócios, muitas delas nos procuram com a intenção de ‘crescer para dentro’”, observa José Carlos Teixeira Moreira (foto), presidente da (EMI), que chegou a essa avaliação a partir de entrevistas qualitativas com presidentes e líderes de empresas de diversos setores do B2B, que participam de seus programas e Usinas do Conhecimento.
Neste cenário, a experiência empresarial de “crescer para dentro” é similar ao ano sabático de um profissional – ambas as situações sugerem um período de reflexão para rever os horizontes e, em seguida, agir de acordo com as conclusões desta reflexão. “É uma oportunidade, já que, no caso das empresas, elas não podem deixar de faturar, então aproveitam para ficarem mais próximas de seus clientes, com o objetivo de descobrirem negócios antes ocultos”, mostra Teixeira Moreira.
De acordo com a avaliação da EMI, o número de empresas que buscam um propósito que contribua de maneira transformadora na vida das pessoas, e que seja um reflexo dos seus valores, tem aumentado ano a ano. E isso não diz respeito a um ou outro setor da economia, pois está relacionado à maturidade das companhias e de seus dirigentes.
“Os bancos, por exemplo, inscrevem seus executivos em nossos programas com o objetivo de desenvolver neles a habilidade de perceber uma empresa válida quando estão diante de uma. Isso porque o investimento em empresas reconhecidas e valorizadas pelo mercado assegura mais retorno do que nas empresas que estão orientadas apenas à obtenção do lucro e não tem um propósito maior”, afirma Teixeira Moreira.
Companhias do setor produtivo e startups de tecnologia também estão buscando aliar seus negócios a um propósito, bem como aprimorar e reter seus talentos.
“Como há um apagão de talentos no mercado, congregar os profissionais de destaque em torno de uma causa relevante para a empresa é fundamental para manter e atrair esses talentos”, ressalta o presidente da EMI, que, nesse contexto, tem a expectativa de aumentar em 30 a 40% as inscrições de seus programas em 2013.
“As empresas têm buscado os programas da Escola para rever seu posicionamento a fim de continuar no negócio”, comenta Teixeira Moreira, ao destacar que o envolvimento real de uma companhia com uma causa – que não seja apenas a de gerar valor a seus acionistas e riqueza para o empreendedor –, é determinante para que o sucesso do negócio e para que a sociedade o reconheça como empresa que contribui para o todo e, portanto, tem um lucro merecido.


