Torneio mundial de profissões exige formação técnica e competências pessoais requeridas nas empresas

WorldSkillsCaracterísticas como obstinação, persistência frente a dificuldades, senso de oportunidade e de trabalho em equipe são fundamentais para ter bons resultados numa competição internacional. No torneio que elege os melhores profissionais de nível técnico do mundo, o WorldSkills, não é diferente. Além dessas habilidades pessoais, quem quer chegar ao lugar mais alto do pódio precisa ter uma formação sólida, praticar e desenvolver seu talento em oficinas e laboratórios equipados com materiais, máquinas, ferramentas e simuladores usados de última geração. Essas competências pessoais e técnicas também são os principais requisitos das empresas de todo o mundo na hora de contratar um profissional.

É esse tipo de educação, que une teoria à pratica e está sintonizada com as demandas das empresas, que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) oferece em suas 817 escolas espalhadas pelo país.  Foi nestas escolas que se formou a maioria dos 41 integrantes da equipe que representa o Brasil na 42ª edição do WorldSkills. Neste ano, o torneio reunirá cerca de mil competidores de 53 países entre 2 e 7 de julho, em Liepzig, na Alemanha. Eles competirão em 46 modalidades profissionais.

Nas provas do torneio bienal, estudantes de cursos técnicos e de aprendizagem profissional mostrarão suas habilidades para resolver, dentro de rigorosos padrões internacionais, desafios do dia a dia do trabalho nas empresas. O Brasil, cuja delegação é formada por 37 estudantes do Senai e quatro do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), tem representantes em 37 profissões, entre elas fresagem CNC, mecatrônica, robótica móvel, mecânica de refrigeração e manutenção aeronáutica.

As histórias traçadas pelos integrantes da delegação até chegar à competição mundial têm um ponto em comum. Todos eles, que já fazem parte do grupo dos mil melhores profissionais técnicos do mundo, iniciaram a trajetória em cursos de formação profissional no Senai ou no Senac. O tipo de educação oferecida – destinada a atender as demandas do mundo do trabalho – fomenta características importantes de um campeão como foco no resultado, produtividade, disciplina, dedicação e segurança. Durante as aulas desses cursos, os professores já envolvidos com os torneios estaduais e nacional (a Olimpíada do Conhecimento) procuram despertar o interesse dos estudantes identificados como potenciais vencedores para participarem dessas competições. É por meio delas que se consegue uma chance para o mundial.

O grupo que vai a Leipzig disputou as vagas na edição nacional da Olimpíada do Conhecimento realizada em novembro de 2012, da qual participaram cerca de 600 jovens. Mesmo depois do bom resultado no país, a participação no WorldSkills só foi confirmada quando os selecionados atingiram o índice técnico internacional em provas seletivas específicas. Todos os anos, as unidades tanto do Senai como do Senac aplicam provas para avaliação de conhecimento teórico e de habilidades práticas para que os interessados possam participar das etapas estaduais da Olimpíada. Os vencedores são classificados para a etapa nacional.

Para cada uma das 37 ocupações em que o Brasil terá competidores no WorldSkills, foi desenhado um treino que consumiu cerca de 500 horas de cada competidor nos últimos três meses. Esse planejamento leva em conta as características de cada prova. Algumas delas, como é o caso da eletrônica industrial, são parcialmente conhecidas. “A competição começa muito tempo antes. Durante o treino, precisamos prever as estratégias dos outros países e nos preparar para elas também”, destaca o especialista João Olegário, da equipe de eletrônica industrial. No time brasileiro desde 2007, ele é um dos responsáveis pelo bom desempenho do país na modalidade, que saiu da oitava posição, naquele ano, para o primeiro lugar em 2009 e em 2011.

“Não existe um campeão por acaso”, explica o gerente de Concursos e Olimpíada do Senai, José Luis Gonçalves Leitão, que tem 20 anos de experiência na preparação de equipes para concursos nacionais e mundiais de profissões.  Ele lembra que a vitória no torneio internacional depende de competência técnica, empenho pessoal, persistência e uma rigorosa preparação voltada para a competição. Ademir Bassanesi é o especialista responsável por planejar o treinamento da dupla brasileira que pode trazer do WorldSkills Leipzig o bicampeonato na ocupação mecatrônica. O tecnólogo em automação industrial com especialização em educação profissional participa do treinamento dessa ocupação desde 2001, quando o país ficou com a quarta colocação. Desde então, foram dois quintos lugares (em 2003 e 2005), duas medalhas de prata (em 2007 e 2009) e a medalha de ouro em 2011.

De acordo com ele, todas as equipes que chegam ao WorldSkills têm nível técnico muito elevado. O que define a campeã são características comportamentais: bom planejamento, parceria, capacidade de trabalhar sob pressão e equilíbrio. Olegário conta que os perfis dos campeões da eletrônica nos últimos anos são muito diferentes. Há, contudo, uma característica comum a todos: “São extremamente frios”. Isto é, respondem muito bem à pressão das provas. O diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi, afirma que a participação no evento internacional permite melhorar o padrão de qualidade da educação profissional oferecida pela instituição. “O torneio é uma forma de o Senai incentivar e valorizar o esforço dos estudantes e, ao mesmo tempo, avaliar a formação que oferece segundo padrões tecnológicos adotados pela indústria em todo o mundo”, destaca.

Desde o início de sua participação, em 1983, o Brasil já conquistou 132 premiações entre medalhas de outro, prata, bronze e diplomas de excelência. O Brasil será também a sede da próxima edição do WorldSkills, que está marcada para o período de 11 a 16 de agosto de 2015, em São Paulo. São esperados 1,2 mil jovens competidores de 74 países, que concorrerão em 48 habilidades profissionais.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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