Mercados alternativos impulsionam exportações de calçados

exportação -sapatosDados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e elaborados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam para uma leve recuperação nas exportações no mês de fevereiro. A performance foi garantida por uma maior diversificação de mercados. O relatório aponta que mercados mais tradicionais para os calçados brasileiros, abalados por crises políticas e econômicas, estão perdendo força. No mês passado, foram embarcados 13,44 milhões de pares, que geraram US$ 102,46 milhões, números 25,3% superiores em pares e 3,2% em dólares no comparativo com o mesmo mês de 2013 (10,7 milhões de US$ 99,3 milhões). No acumulado dos dois primeiros meses, as exportações somaram 26 milhões de pares e uma receita de US$ 195,4 milhões, número 10,3% superior em volume e 1,5% inferior em dólares no comparativo com igual período do ano passado.

Em 2014, mercados tradicionais como Estados Unidos, França, Rússia e Argentina perderam espaço, embora ainda figurem como os principais compradores. A surpresa do apanhado foi a Angola, que nos dois primeiros meses assumiu o posto de quarto principal mercado para o calçado verde-amarelo. No período, os angolanos compraram mais de 3 milhões de pares a um valor de US$ 11,6 milhões, 79% mais do que no mesmo período de 2013. No primeiro bimestre os mercados do Oriente Médio, especialmente Arábia Saudita e Israel, também registraram incremento nas importações de produtos brasileiros no comparativo com o ano passado. Para o primeiro foram embarcados 474,5 mil pares e um valor de US$ 5,2 milhões (aumento de 100% em dólares) e para o segundo 880,3 mil pares a US$ 3,52 milhões (incremento de 120%).

Já os principais mercados do período foram Estados Unidos (1,9 milhão de pares e US$ 29,6 milhões, queda 9%), França (2,53 milhões e US$ 15,67 milhões, queda de 3,1%) e Rússia (600,4 mil e US$ 12 milhões, queda 24,8%). A Argentina, que até o ano passado era o segundo principal destino do calçado nacional, caiu para a sexta posição, com queda de 35% em dólares (de US$ 16,26 milhões para US$ 10,56 milhões).

Entre os estados exportadores destaque para São Paulo, que registrou incremento de 41,7% na receita gerada com os embarques no comparativo com o primeiro bimestre de 2013. No período, os paulistas embarcaram 2,46 milhões de pares pelos quais receberam US$ 25,75 milhões. Já os dois principais exportadores, Rio Grande do Sul e Ceará, registraram quedas no período. Os gaúchos embarcaram 3,14 milhões de pares que geraram US$ 71,73 milhões, queda de 5%. Já os cearenses venderam 12 milhões de pares e receberam US$ 60,2 milhões, 1,4% menos do que no ano passado.

Para o presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, o resultado das exportações é motivado por um câmbio mais competitivo e estável. “Por outro lado, os resultados poderiam ser bem superiores, estando ainda muito aquém das nossas possibilidades”, avalia o executivo, ressaltando a deterioração do mercado argentino, o fim do Sistema Geral de Preferências para as exportações brasileiras aos países da União Europeia e os conhecidos problemas ocasionados pelo Custo Brasil. “A política de desoneração deve continuar e o fim do Reintegra pode acenar justamente para uma guinada neste processo. Isso nos preocupa muito e certamente já está surtindo efeito negativo no nosso desempenho”, acrescenta Klein.

Por outro lado, o executivo destaca a diversificação de mercados, o que pode garantir um desempenho mais positivo nas exportações. “A Abicalçados, através do Brazilian Footwear, trabalha justamente pela diversificação dos destinos das exportações. Hoje estamos presentes em mais de 150 países. A crise nos nossos principais mercados teria um efeito muito mais grave se não fosse por essa pulverização do calçado brasileiro”, comenta.

Já as importações de calçados no primeiro bimestre de 2014 seguiram a tendência de alta. Embaladas pelos eventos esportivos vindouros, as compras externas de calçados chegaram a US$ 120,8 milhões, 31,1% mais do que no mesmo período do ano passado. Nos dois meses entraram no Brasil 8,2 milhões de pares, 35% deles de produtos esportivos. Em valores pagos, a importação deste segmento já representa 52% do total (US$ 62,23 milhões).

Segundo Klein, o aumento das importações de calçados esportivos já ultrapassa 85% na relação com o mesmo período do ano passado. “Infelizmente, a oportunidade da Copa está sendo somente para os importadores asiáticos”, lamenta Klein, acrescentando que o não acionamento dos mecanismos de defesa comercial é o motor de uma grave crise na indústria calçadista brasileira.

Conforme o relatório, quase 62% das importações de calçados do período foi proveniente do Vietnã, que vendeu 4,13 milhões de pares pelos quais foram pagos US$ 74,54 milhões, aumento de 51% com relação aos dois meses de 2013. O segundo maior exportador de calçados para o Brasil foi a Indonésia, com 1,36 milhão de pares e US$ 21,96 milhões, incremento de 46,7%. A China segue no terceiro posto, com a venda de 1,96 milhão de pares por US$ 11,63 milhões, aumento de 12,6%. O destaque do período foi a Tailândia, que assumiu a quinta colocação entre os maiores exportadores de calçados para o Brasil. De lá vieram 89,5 mil pares pelos quais foram pagos US$ 2,4 milhões, aumento de 300% com relação ao mesmo período do ano passado.

Em partes de calçados, as importações brasileiras diminuíram 12,6% com relação ao primeiro bimestre de 2013. Nos dois meses entraram no Brasil o equivalente a US$ 5 milhões em cabedais, solas, saltos, palmilhas, entre outros materiais. Os principais exportadores deste segmento foram China (US$ 1,9 milhão, queda de 34%), Vietnã (US$ 1,32 milhão, queda de 1%) e Taiwan (US$ 426,6 mil, aumento de 200%).

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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