Como administrar uma empresa em tempos de crise

A economia brasileira passa por um período de indefinições e de pouca confiança diante dos indicadores macroeconômicos. A questão política também pode mudar as expectativas dos empresários. Para discutir a gestão em tempos de crise, o World Trade Center Business Club de Curitiba (WTC), que é o maior clube de negócios do mundo, promoveu nesta sexta-feira um debate sobre o tema, no Cietep, em Curitiba.
Eu conversei com o vice-presidente da Bematech, o executivo Marcos Perillo, que participou do debate, e ele me disse que todas as empresas devem passar constantemente por reestruturações. Em períodos normais, os ajustes se tornam imperceptíveis. Já em tempos de crise eles são mais dolorosos.
Segundo Perillo, no momento em que a diretoria de uma empresa percebe que o cenário mudou, e que o orçamento já começa a se distanciar da realidade a primeira medida a ser tomada é com a comunicação. Ou seja, toda a equipe deve se reunir e tomar consciência da situação. O segundo plano de ação é a revisão do orçamento, seguido de mudanças no plano tático. Em tempos de crise, o faturamento cai e, consequentemente, as despesas têm que diminuir.
Entretanto, na avaliação do executivo da Bematech, é muito importante que a revisão dos processos ocorra antes do corte de pessoal. Quando uma empresa parte diretamente para a demissão de trabalhadores, o que acontece é que os colaboradores que ficaram, acabam absorvendo o retrabalho e deixam de fazer o trabalho de inteligência. No curto prazo, os custos diminuem, mas a ineficiência da companhia vai aumentar, e no longo prazo a conta ficará mais cara.
Já na gestão do orçamento, Marcos Perillo explica que todos os gestores são responsáveis pelas despesas. Se a empresa tiver um centro de custos bem feito, os gastos serão bloqueados de forma inteligente e isso fará toda a diferença.
Outro ponto que não pode falhar é a liquidez, ou seja, transformar a sua atividade fim, em caixa. Na avaliação de Perillo, o segredo para tornar a empresa mais líquida é ter uma área de cobrança pró-ativa, educada e pouco flexível.
Por último, não há momentos de crise sem estresse. Se o empresário não souber gerir, vai se perder. Por isso é fundamental o estabelecimento de micrometas.








