Sem reformas, país terá dificuldades para avançar no comércio exterior, apontam especialistas

Exportar não é uma tarefa fácil.
Exportar não é uma tarefa fácil.

O Brasil tem o 6º maior PIB mundial, mas ocupa apenas a 22ª posição entre os países exportadores – enquanto os 5 cinco primeiros colocados têm a exportação como uma de suas principais estratégias para o bom resultado de seu Produto Interno Bruto. O indicador foi apresentado pelo vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Fabio Faria, durante sua palestra no II Seminário de Comércio Exterior e a Indústria, promovido pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Durante todo o evento, especialistas e público discutiram as causas do baixo desempenho internacional do Brasil e também dialogaram sobre novas oportunidades e facilidades para os que buscam o comércio exterior.

Um dos destaques da programação foi o ex-ministro de Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia. Em sua palestra, ele falou sobre alguns possíveis acordos comerciais com blocos econômicos, que favoreceriam a produção brasileira. Para o embaixador, os principais alvos do governo deveriam ser Estados Unidos e União Europeia. Lampreia é descrente quanto à possível reorganização e fortalecimento do Mercosul. “Hoje é apenas um área de livre comércio, com práticas protecionistas adotadas por todos os países”, apontou. O ex-ministro foi crítico quanto às políticas adotadas no atual governo. “Houve elevação de tarifa em mais de 100 produtos e, nesse período, o Brasil tornou-se um país protecionista e de difícil acordo nas negociações internacionais”, criticou.

Para Fabio Faria, há uma série de empecilhos que dificultam a entrada do produto brasileiro no comércio exterior, como alta tributação, legislação trabalhista ultrapassada, burocracia e infraestrutura. Todos os fatores, segundo ele, impactam na formação do preço do produto e desfavorecem os produtos manufaturados. “O Brasil é também o único país que exporta impostos junto com seus produtos. Esperamos que a alíquota do Reintegra volte aos 3% e se torne efetiva”, pediu o vice-presidente. “Hoje o Brasil é um exportador de pesos, de produtos de baixo valor agregado, e que utiliza quase que exclusivamente o modal marítimo (95% do total) para suas exportações”, pontuou Faria, criticando a falta de opções viáveis de transporte de produtos.

A mesma crítica foi feita pelo gerente de Logística da assessoria de comércio exterior Mastersul, Antonio Dib, que acompanhou o seminário. “O custo de logística no Brasil é muito alto e há uma ineficiência na infraestrutura. Vim ao evento para procurar entender o que o governo está fazendo para melhorar esses fluxos e acredito que o portal único de comércio exterior represente um avanço nas transações comerciais internacionais”, avaliou o empresário, referindo-se ao tema da palestra da diretora do departamento de Competitividade no Comércio Exterior e secretária de Comércio Exterior Substituta do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDic), Ana Junqueira. Criado em abril deste ano, o portal é uma iniciativa de reformulação dos processos de importação, exportação e trânsito aduaneiro, com o objetivo de estabelecer processos mais eficientes e que integrem todos os atores públicos e privados relacionados ao comércio exterior. “Estamos buscando ferramentas para auxiliar a indústria. Mas é importante também que o setor industrial faça o que está acontecendo neste momento em Curitiba, neste seminário. Mobilizem-se. E pensem no comércio exterior como uma estratégia de negócio e não como uma experiência. Preparem-se para atender às exigências internacionais. É a partir desta troca entre governo e iniciativa privada que cresceremos no mercado internacional”, disse.

“Há uma desconfiança evidente no mercado externo quanto ao Brasil, que hoje é responsável por apenas 1,3% das exportações mundiais. Os processos são muito burocráticos e extensos – 12 dias para exportar e 16 dias para concluir um processo de importação”, lamentou Rommel Barion, coordenador do Conselho Temático de Negócios Internacionais da Fiep. “Acredito que, com o portal único de comércio exterior, o governo esteja dando um passo para diminuir a burocracia”, avaliou.

Para o gerente executivo de Comércio Exterior da CNI, Diego Bonomo, ir para o mercado internacional traz muitos ganhos mas não é uma tarefa fácil. Ele comparou a situação do Brasil à de uma pessoa doente. “O paciente está muito enfermo e não adianta remediar com aspirina. É preciso operá-lo. O governo precisa, com urgência, promover as reformas necessárias. A CNI tem dado sua contribuição e a mais recente é o nosso mapa estratégico da indústria. Das 42 propostas apresentadas ao governo federal, 7 são na área internacional. Estamos à disposição do governo, para construirmos essas novas oportunidades”, afirmou.

O industrial do setor madeireiro, Paulo Pupo, saiu do seminário com boas expectativas. “É um encontro de grande funcionalidade, dentro da Fiep. Tivemos hoje uma exposição clara de dois mundos – o real, com enormes dificuldades enfrentadas no dia a dia pelo industrial brasileiro, e as propostas de pequenos avanços apresentados pelo MDic. Estamos diante de grandes gargalos, com o custo Brasil, problemas de logística e os poucos acordos comerciais – apenas 3 vigentes, em um pais com o 6º maior PIB mundial. O cenário é preocupante e talvez o momento de mudança seja agora, com esta nova eleição, e com uma pressão maior por parte da CNI pela implementação de suas propostas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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