Acordo entre o Brasil e países africanos oferece maior segurança aos investidores brasileiros

Tanto por meio do comércio como por meio de investimentos, a relação comercial entre o Brasil e a África cresceu expressivamente na última década. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em 2014 o fluxo de comércio exterior entre o Brasil e Angola foi de US$ 2,37 bilhões, com exportações de US$ 1,26 bilhão e importações de US$ 1,11 bilhão. Entre o Brasil e Moçambique, o fluxo foi de US$ 74 milhões.

Diante disso e da crescente exportação de capitais brasileiros nos últimos anos, os Acordos de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) assinados recentemente pelo Brasil com Moçambique e Angola pretendem alavancar a internacionalização das empresas brasileiras ao oferecerem maior proteção para os investidores.

O Brasil já possui 14 acordos bilaterais de investimentos (bilateral investment treaties – BITs), todos assinados na década de 90. Estes acordos se somam há quase 3.000 acordos bilaterais desta natureza celebrados em todo o mundo. Entretanto, os 14 acordos celebrados pelo Brasil nunca entraram em vigor por falta de aprovação do Congresso Nacional, especialmente em virtude da previsão da obrigação das partes de se submeterem à arbitragem internacional para a resolução de eventuais conflitos.

Os recentes Acordos de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) apresentam um novo formato, afastando-se dos tradicionais BITs acima mencionados. A advogada Karla Fonseca, da Andersen Ballão Advocacia, que é Mestre em Direito das Relações Internacionais pela UFSC, esclarece que o novo modelo de acordo contempla mudanças significativas em relação ao tradicional modelo de acordo bilateral de investimentos. Segundo a advogada, é possível identificar uma tentativa de estabelecer uma relação mais cooperativa e colaborativa, inclusive em vista de previsões relacionadas à responsabilidade social corporativa dos investidores em benefício do Estado receptor dos investimentos.

“Os acordos definem como objetivo facilitar e fomentar investimentos recíprocos, sem interferirem na autonomia legislativa dos Estados receptores de investimentos, o que deixa espaço para políticas públicas próprias, e, portanto, garante que os Estados receptores mantenham a defesa de seus interesses nacionais de desenvolvimento”, diz.

O novo modelo é mais equilibrado, conforme explica a advogada, que no livro intitulado “Investimentos Estrangeiros – Regulamentação Internacional e Acordos Bilaterais” analisou o desequilíbrio entre os direitos e obrigações dos investidores e países signatários dos tradicionais acordos bilaterais de investimento. “Historicamente, acordos bilaterais de investimento surgiram como forma de proteger os investidores na realização de investimentos em países em desenvolvimento, sem a contrapartida na proteção dos interesses e das necessidades de desenvolvimento dos Estados receptores. Este novo modelo surge como uma tentativa de trazer mais equilíbrio entre direitos e obrigações de investidores estrangeiros e Estados receptores”, reforça.

Apesar das mudanças trazidas pelos novos acordos, Karla chama a atenção para importância destes acordos para as empresas brasileiras, uma vez que mantêm cláusulas essenciais de proteção de investimentos, como o tratamento não discriminatório (em relação tanto a investimentos estrangeiros de outros Estados como a investimentos nacionais) e condições para expropriação/nacionalização, assegurando, inclusive, indenização “justa” e “sem demora”. A advogada também acredita que o novo modelo de acordo, celebrado com Angola e Moçambique, deve incentivar a internacionalização de empresas brasileiras, que passarão a contar com tratados internacionais para proteger os seus direitos nesses Estados.

Os novos acordos ainda dependem de aprovação no Congresso Nacional para entrar em vigor, mas considerando que o modelo foi proposto pelo Brasil acredita-se que eles não tenham o mesmo destino dos outros 14, anteriormente assinados pelo Brasil.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *