Alta dos preços e queda na renda dos consumidores afetam faturamento dos supermercados

O faturamento do setor supermercadista vem sendo afetado não só pela queda das vendas, mas principalmente pela mudança de hábito dos consumidores, que diante da alta generalizada dos produtos e diminuição da renda, estão comprando menos supérfluos e substituindo os produtos mais caros pelos mais baratos. Eu conversei agora há pouco com o empresário Pedro Joanir Zonta, diretor da rede Condor de Supermercados, e que está presidindo pela terceira vez a Associação Paranaense de Supermercados. Ele me disse que para este ano, o faturamento do setor deve cair 1% ou até mais em relação a 2014.
No caso específico da rede Condor, somente no primeiro quadrimestre deste ano, a lucratividade foi 50% menor se comparada a igual período do ano passado. O empresário faz uma conta bem simples para justificar a queda nos lucros. Considerando um ganho de 15% sobre um produto que custa R$ 30, o lucro do supermercado é de R$ 4,50. Mas, como o consumidor está substituindo os produtos mais caros pelos mais baratos, ao invés de pagar R$ 30, ele vai buscar um produto de outra categoria por R$ 20. Com isso, o lucro cai para R$ 3. Ou seja, só numa mercadoria, o supermercado deixou de faturar R$ 1,50. Com a lucratividade diminuída, o setor vai investir menos este ano. Consequentemente, menos empregos serão criados.
Joanir Zonta considera a situação atual bastante delicada. Ele lembra que no começo do ano, o governo do Paraná aumentou a alíquota do ICMS em 95 mil produtos, o que representou um aumento de 3,5% na carga tributária, sem considerar que os custos da energia elétrica praticamente dobraram este ano. Segundo me garantiu o presidente da Apras, os supermercados estão segurando o máximo os preços dos produtos e negociando com os fornecedores. Caso contrário, a situação seria ainda pior.
Uma das metas de Joanir Zonta à frente da Associação Paranaense de Supermercados é dobrar o número de expositores e visitantes da Mercosuper e tornar esta feira a segunda maior do Brasil. Nesta quarta-feira (24) à noite, foi lançada em Curitiba, a 35ª Feira e Convenção Paranaense de Supermercados, que aliás resultou no fechamento de vários contratos. Este ano, a Mercosuper realizada no mês de abril contou com 94 expositores. Para 2016, este número deve chegar a 200, estima Zonta.
A economia paranaense é a quinta maior do país e somente o setor supermercadista do Estado movimenta cerca de R$ 19 bilhões por ano. Neste cenário, a Mercosuper figura como uma feira de negócios que proporciona oportunidades de parcerias entre os supermercadistas e fornecedores. “Os consumidores paranaenses vão ao supermercado em torno de 40 milhões de vezes ao mês, por isso, o nosso segmento deve estar em constante aperfeiçoamento e sempre trazer para os clientes as últimas novidades do setor em produtos, serviços e tecnologias, mas sempre aliados a preços competitivos, que somente são possíveis com negociações especiais, como as realizadas na Mercosuper”, afirma Zonta.
Para brindar os 35 anos da Feira, a Apras planejou várias inovações, entre elas espaços específicos para determinados segmentos, que vão deixar a feira mais dinâmica e com novidades que atenderão a todos os supermercadistas e profissionais da área presentes no evento, independente do tamanho da empresa.








