BNDES e o seu papel na política de crédito

A política de crédito no país tem a figura fundamental do BNDES, que atualmente vem sendo alvo de críticas em função do subsídio de recursos que não repercutem na economia. Daí surge a pergunta: financiamentos para quem? Não é novidade que a política brasileira beneficia a minoria deste país, seja nas decisões relacionadas à política tributária com ajustes fiscais e (leia-se arrocho fiscal, que não alcança a parcela rica da população) ou nas políticas de crédito, que não chegam às pequenas e médias empresas.
Logo, o BNDES, que tem o papel de fomentar a atividade econômica no país através de linhas de crédito, atua de forma intrigante, pois empréstimos de valores exorbitantes foram concedidos para grupos de empresas, tais como a do empresário Eike Batista, cujas ações, se trocadas por um pacote de balas, seria um mau negócio.
Neste contexto, a reflexão se torna muito mais forte, principalmente porque grandes empresas envolvidas no escândalo conhecido como Lava Jato também tiveram financiamentos do BNDES, o que novamente nos remete ao ponto inicial deste artigo: quem recebe as benesses de linhas com carência, taxas atrativas e prazo de pagamento a perder de vista? São as pequenas e médias empresas ou os grandes grupos econômicos que financiam campanhas eleitorais e contratam “consultorias” de figuras políticas?
A resposta a este tema traz a necessidade de reestruturação administrativa e novas políticas de crédito, que restrinjam a forma deliberada de concessão para as grandes companhias e, ao mesmo tempo, melhorem o acesso aos recursos para as pequenas e médias empresas, que encontram muitas dificuldades burocráticas quando necessitam de financiamento da instituição.
Neste sentido, o primeiro passo já foi dado, pois as investigações já iniciaram e o clamor pela moralidade e transparência nas operações há de se instaurar no futuro próximo. Contudo, antes do belo dia de sol sempre há uma forte tempestade e, até agora, ainda nem começou a chover.
O artigo foi escrito por Kesley Rodrigo Machado, gerente Financeiro da Fibracem, empresa que atua no segmento de comunicação óptica desde 1993, atendendo clientes em todo o território brasileiro e na América Latina.





