Afinal, em que mundo o franchising vive?

 

Rafael Sartori
Rafael Sartori

O estudo divulgado pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), em agosto, indica que o faturamento do setor de franquias cresceu 11,2% no primeiro semestre em comparação ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 63,8 bilhões. Já no 2º trimestre, o crescimento foi de 13,1%, com receita de R$ 32,5 bilhões.

Muitas pessoas ficam se perguntando qual o segredo do mercado de franquias para crescer em meio a tanta turbulência na economia brasileira. Para explicar melhor esse paradoxo, devemos entender que estamos falando de franqueadoras que aplicam as melhores práticas mercadológicas para entrar nesse setor, o que se aplica um criterioso diagnóstico empresarial, uma avaliação consistente do mercado, alinhamento do DNA (identidade e cultural) entre outros estudos que permitam uma expansão segura a todos os envolvidos.

Feito isso, é importante falar de um dos pontos cruciais para esse sucesso. O sistema do Franchising está inserido no composto de marketing (marketing mix), também conhecido como os 4 Ps do marketing: um conjunto de variáveis controláveis que influenciam a forma como os consumidores respondem ao mercado e consistem no que a empresa pode fazer no sentido de influenciar a procura de um produto, visando alcançar o nível desejado de vendas. Perfazem os 4 Ps: Produto, Preço, Praça e Promoção.

O “P” que a que me refiro é um dos grandes influenciadores na decisão de compra dos consumidores. Chamado de Praça ou Ponto de Venda (PDV), esse “P” pode definir o sucesso ou o fracasso de um empreendimento e dele devemos extrair o melhor dos elementos estudados nos outros Ps, afinal, todo negócio tem um público alvo definido que deverá ver em seu Produto uma solução para suas necessidades, um valor que articule benefícios necessários ao Preço e uma Promoção que forneça informações relevantes.

Mas afinal, onde podemos encontrar tudo isso em um só lugar? A primeira palavra que nos vem à mente é: Shopping Center! É lá mesmo, onde a maioria das unidades franqueadas se encontra. Nos EUA, 68% do faturamento do varejo está dentro desses centros de compras e o Brasil está querendo se aproximar desses números (hoje não chegamos a 40%), com as grandes redes expandindo, principalmente, no interior dos estados. Devemos alertar que tão difícil quanto ser aprovado para entrar nos shoppings é se manter dentro deles. Assim, é necessário um estudo detalhado sobre o custo de ocupação, para que o aluguel e condomínio não sejam seus principais sócios.

Mas então, qual a verdadeira magia desse lugar? Chama-se trabalho!  Enquanto a maioria do comércio varejista está na rua, as franqueadoras procuram os shoppings centers e lá trabalha-se 12 horas por dia, 7 dias por semana nos 12 meses no ano. Enquanto a maioria está descansando com suas famílias em casa, desfrutando o final de semana, os empresários locados em Shopping Centers estão organizando suas lojas, muitos desde as 8 horas da manhã, para aproveitar o grande fluxo de compradores do sábado e domingo. São 104 dias a mais de trabalho por ano e isso deve explicar o porquê enquanto empresas normais trabalham com um índice superior a 50% de fechamento em 2 anos, as franqueadoras trabalham com 5%.

Agora imagine o Brasil inteiro trabalhando 104 dias a mais por ano! Isso parece uma escravidão forjada, não? Pois então, antes de pensar em comprar uma franquia, pense em trabalho e, pelo menos nos 2 primeiros anos de empresa, nem pensar em férias! As franqueadoras irão te dar todo o apoio, mas o executor será você e, para isso, precisa ter disposição e abdicar de muitas coisas que hoje, como executivo de uma empresa, você desfruta!

O artigo foi escrito por Rafael Sartori,  diretor Nacional de Franquias, com uma expansão de mais de 100 lojas no Brasil. Educador da maior rede de franquias em Ensino Técnico da América Latina no curso de Capacitação em Rotinas Administrativas. Fundador da Dentes & Números – empresa especializada em Marketing e Gestão em Saúde. Criador do 1º Curso de Gestão e Marketing em Odontologia a nível de extensão –  contendo 80 horas, sendo ministrado na Universidade Positivo, em Curitiba.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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