Momento atual requer mudanças no perfil de atuação do franqueado

Ser empreendedor, no passado, era um dos requisitos básicos exigidos para quem desejasse ser um franqueador. Na visão de Melitha Novoa Prado, advogada especializada em relacionamento de redes, os tempos atuais – marcado pela crise que assola o Brasil – promoveram uma mudança: hoje, o franqueado também deve ser um empreendedor atuante, que busca soluções e alternativas para crescimento da rede lado a lado com seu franqueador.
“As redes que querem vencer a crise e evoluir não podem esperar que apenas o franqueador aponte caminhos. A relação de franquia, como qualquer outra nos momentos atuais, é essencialmente horizontal, onde todos os elos da cadeia possuem papel fundamental para o sucesso do negócio”, explica Melitha. “É por isso que eu digo que o franqueado deve ter um espírito empreendedor: ele precisa ter visão de rede, participar, colaborar com a gestão e trabalhar não exclusivamente para a sua franquia, mas para o crescimento da marca e amadurecimento do sistema de franquia.”
A advogada acompanha redes de franquia há mais de 26 anos. Notou que, naquelas onde o franqueado atua muito distante do negócio, sem envolvimento pessoal, apenas como espectador do trabalho de sua equipe e do Franqueador, o sucesso financeiro desejado não se concretiza e, por conseguinte, não traz qualquer contribuição importante para a evolução da rede. “Franqueado precisa ser proativo, portador de ideias e sugestões, pensar com mentalidade de negócio próprio”, exemplifica. “Com um olhar mais amplo, este franqueado consegue, ainda, abrir novas oportunidades em seu território a até para a própria rede. Ele só tem a ganhar”.
Pensando nos franqueadores, o momento atual requer um escutar mais profundo, estimulando trabalhos internos e criativos com a rede franqueada, com o objetivo de estreitar laços, dividir as responsabilidades, melhorar a comunicação e aprofundar os diálogos. “É hora de mudar de atitude e aclamar a rede para uma colaboração ativa no intuito de buscar soluções pacificas para as dificuldades, dentro de um ambiente saudável e sustentável, diz.
Para Melitha, cabe também ao franqueador motivar e melhorar o estado psicológico da rede – uma vez que só se fala hoje em crise, dificuldades, conflitos e divergências. O desânimo ganha força e passa a dominar a relação de franquia. “Não podemos jamais esquecer que o franchising é um sistema de gestão de pessoas e como tal sujeito a imprevisibilidades. Por isso, tão importante é a prática de diálogos constantes com a rede de franquia”, alerta.
A advogada vai além: “Se for preciso mudar a gestão, mude. O sistema de franchising nunca foi estanque – e é isso que o torna tão especial. É possível sempre atualizar e alterar os modelos de treinamento, as etapas do processo de seleção, a metodologia da consultoria de campo e o que mais for necessário. Só não dá para ficar parado esperando a crise passar”.


