91% das franquias brasileiras não dominam a IA

91% das franquias brasileiras não dominam a IA

Apesar do entusiasmo com ferramentas generativas, a falta de qualificação técnica trava a integração da inteligência artificial na gestão das franquias

O franchising brasileiro vive um paradoxo tecnológico. De um lado, uma adoção em massa, impulsionada pela curiosidade e pela facilidade das ferramentas de IA generativa; do outro, uma barreira de maturidade que impede a tecnologia de chegar ao “coração” das operações. Segundo pesquisa recente da Associação Brasileira de Franchising (ABF), embora 85% das redes já utilizem IA de alguma forma, apenas 9% afirmam operar em estágio avançado, com o sistema integrado a processos-chave.

O cenário brasileiro contrasta com o movimento de mercados maduros. De acordo com o Gartner AI Maturity Survey 2025, cerca de 13% das organizações globais já atingiram alta maturidade — um patamar onde a IA não é apenas um acessório, mas um motor de ROI (retorno sobre investimento) mensurável e constante. No Brasil, a realidade ainda é de experimentação: 37% das redes estão em fase de testes ou pilotos, e 22% dependem da iniciativa informal dos colaboradores.

Gargalo da qualificação

Reginaldo Kaeneêne.

Para Reginaldo Kaeneêne, fundador e presidente da rede KNN Idiomas, uma das maiores do gênero do país, palestrante e especialista em empreendedorismo, o entusiasmo com a IA esbarra em uma deficiência estrutural do país: a formação de capital humano. “O Brasil já entendeu o valor da tecnologia, mas ainda forma pouca gente para operar a tecnologia”, afirma o empresário.

Reginaldo aponta que essa lacuna transforma a inovação em algo periférico.

“Sem qualificação, a IA vira ferramenta solta — ajuda no curto prazo, mas não muda produtividade nem gestão”, explica.

O dado da ABF corrobora a visão do executivo: a falta de conhecimento técnico interno é citada por 47% das redes como o principal freio à adoção, superando inclusive os custos de implementação (38%).

Marketing lidera e governança fica para trás

Atualmente, a IA no franchising nacional tem “rosto” e “voz”, mas pouca “estratégia de dados”. As aplicações mais comuns estão no front-office: marketing e redes sociais lideram com 83%, seguidos pela criação de materiais internos (62%) e atendimento ao cliente (55%). Ferramentas como chatbots (75%) e geradores de texto (71%) são a porta de entrada, mas a utilização de IA para análise preditiva e decisões complexas de negócio ainda é minoritária.

Outro ponto de atenção para investidores e franqueadores é a governança. Enquanto empresas líderes na Europa e nos EUA aceleram a criação de comitês de ética e políticas de uso para proteger dados proprietários, no Brasil apenas 8% das franquias possuem uma política formal estabelecida. Outros 35% sequer iniciaram essa discussão.

Otimismo no horizonte

Apesar do estágio embrionário de maturidade, o setor demonstra fôlego para uma correção de rota. A pesquisa indica que 77% das franqueadoras pretendem implementar ou estruturar melhor o uso da tecnologia nos próximos 12 meses. O benefício já é sentido na ponta: 73% das redes relatam ganho de produtividade e 63% já automatizam tarefas repetitivas.

Para Reginaldo, o próximo passo é a disciplina. O desafio, segundo ele, é transformar esses ganhos dispersos em um padrão de gestão sólido. “Isso passa obrigatoriamente por capacitação, processo e disciplina de execução”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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