Clima econômico piora nas três principais economias da América Latina
O indicador Ifo/FGV de Clima Econômico da América Latina (ICE) – elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo e a FGV tendo como fonte de dados a Ifo World Economic Survey (WES) – recuou de 70 pontos, em outubro de 2016, para 69 pontos, em janeiro de 2017, mantendo a trajetória de suave queda iniciada em julho de 2016. O resultado reflete a combinação do aumento de 5 pontos no Indicador da Situação Atual (ISA) e queda de 11 pontos do Indicador de Expectativas (IE). Ressalve-se se que o ISA (36 pontos) mantém-se muito distante da média histórica dos últimos 10 anos (89 pontos) e numa zona onde predominam avaliações desfavoráveis. Já o IE recuou 11 pontos, para 111 pontos), mantendo-se numa zona favorável e acima da média histórica (98 pontos).
O ICE Mundial manteve a trajetória ascendente ao avançar 5 pontos e alcançar a zona favorável do ciclo econômico. O resultado é explicado pela melhora na avaliação da situação atual (6 pontos), com expectativas mantendo-se estáveis. Nos países desenvolvidos foi registrada melhora no clima econômico: alta nos EUA (5 pontos); na União Europeia (9 pontos) e no Japão (17 pontos), puxados pelo aumento no indicador da avaliação atual e das expectativas. 2017. Na segunda maior economia mundial, a China, o comportamento foi similar: aumento de 25 pontos no ISA, 5 pontos no IE e 16 pontos no ICE. Nos países em desenvolvimento, os resultados do ICE foram menos favoráveis, com uma calibragem para baixo de expectativas bastante disseminada.
A queda do ICE na América Latina foi influenciada pela piora do clima econômico nas três principais economias da região: Brasil (-4 pontos); México (-5 pontos); e Argentina (-8 pontos). A avaliação da situação atual piorou na Argentina (-6 pontos), mas melhorou no México (+13 pontos) e no Brasil (+4 pontos). Nos três países, no entanto, os indicadores mantiveram-se abaixo da média histórica e na região desfavorável do ciclo. As expectativas tornaram-se menos favoráveis em todos os países: Argentina (-9 pontos); Brasil (-21 pontos); e México (-24 pontos). Neste último, a eleição de Trump ajuda a explicar a deterioração das expectativas de curto e médio prazo. No Brasil e na Argentina, os indicadores de expectativas continuaram acima da média histórica, o que não ocorre no México. A piora nas expectativas pode estar refletindo uma calibragem do cenário muito otimista que se seguiu à mudança de governos tanto na Argentina como no Brasil.
A piora nas expectativas das três grandes economias e melhora na situação atual das duas maiores, explicam boa parte dos resultados destes indicadores agregados na América Latina. Além da Argentina, Brasil e México, o ICE recua no Peru (-16 pontos), mas está numa zona favorável e é o maior indicador da Sondagem de janeiro (130 pontos). Com exceção da Venezuela, que permanece com o pior ICE, o clima econômico melhorou nos outros países da região. No mesmo grupo do Peru, onde predominam avaliações favoráveis, estão o Paraguai e o Uruguai.
A alta no preço das commodities e perspectivas de maior crescimento do comércio mundial em 2017 compõem o cenário que explica a melhora nas expectativas em quase todos os países da região. À exceção da Bolívia e da Venezuela, todos os IE estão acima da média histórica. O inverso ocorre com o ISA que está abaixo da média histórica em todos os países, exceto Bolívia.
A análise do ISA mostra que houve piora na percepção sobre a situação atual no Paraguai, Peru, além da Argentina. Paraguai, Peru e Bolívia são os únicos países na zona favorável de avaliação da situação atual. Fatores domésticos políticos e econômicos influenciam negativamente os resultados das grandes economias latinas num quadro que não ocorre na maioria dos outros países da região.








