Sete erros que as empresas mais cometem nas mídias sociais e como evitá-los

Felipe Harmata Marinho: o ambiente online permite que a comunicação entre empresa e audiência seja uma via de mão dupla.

Em 2016, a cada 24 horas, foram postados, em média, 500 milhões de tweets, 4,5 bilhões de likes no Facebook e 95 milhões de fotos no Instagram. De olho nesses números, empresas do mundo inteiro já utilizam esses mecanismos, que servem como ferramentas de comunicação eficientes e de baixo custo. Atualmente, 65% das empresas brasileiras usam as redes sociais como ferramenta de comunicação, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado (Ibramerc). No entanto, não é porque os meios digitais facilitam bastante a promoção de negócios que faça sentido que toda empresa esteja em toda rede social. “É importante saber distinguir quais plataformas são mais receptivas a determinados itens e marcas, de modo a obter o melhor resultado para cada negócio e saber extrair o máximo de cada rede. Cada caso deve ser avaliado individualmente”, avalia o coordenador da Pós-Graduação em Mídias Digitais da Universidade Positivo (UP), Felipe Harmata Marinho.

Os benefícios de saber usar as redes sociais corretamente para fins comerciais são inúmeros e, se bem explorados, podem ser determinantes para o sucesso de uma marca. O problema é que, como a ferramenta é relativamente nova, muitas organizações cometem mais erros que acertos – e o público não perdoa: um passo fora da linha e pode-se colocar tudo a perder.

Confira os principais erros cometidos pelas empresas no universo das redes sociais, com comentários e dicas do coordenador:

1. Não estar presente nas redes
Ter um perfil da marca, pelo menos nas principais redes sociais onde o público alvo se encontra, é imprescindível. De acordo com a Content Trends de 2016, 81,4% das empresas utilizam as publicações de redes sociais como principal formato de conteúdo no funil de vendas. Isso, segundo Harmata, reforça a necessidade de estar inserido nas redes. “Se o concorrente está disponível nos canais que o público está, sua empresa também deve estar. Manter um perfil como um canal de comunicação eleva a credibilidade da empresa, além de ser a melhor forma de obter leads certeiros”, explica. Além disso, o especialista lembra que é preciso levar em conta que atualmente a presença online é diluída. “Não adianta estar concentrado em um local só. É preciso analisar o perfil do público e estar presente com estratégias específicas para cada rede social”.

2. Menosprezar o relacionamento com o público
Para que o público aceite o seu produto ou serviço e vire consumidor, há um longo caminho a ser trilhado. O ambiente online permite que a comunicação entre empresa e audiência seja uma via de mão dupla. “Acostume seus seguidores a receber conteúdo da sua marca, incentive que comentem, compartilhem, curtam. O investimento nesse vínculo trará resultados a médio e longo prazos”, ensina Harmata. Deixar de responder e ignorar esse relacionamento pode ser um erro fatal para a marca. “Quando se publica algo nas redes sociais deve-se levar em conta que você apenas está começando uma conversa. Qualquer post é apenas o começo. É preciso monitorar a resposta e os desdobramentos”, lembra ainda o especialista. Além disso, é necessário ter disponibilidade. Vivemos em uma sociedade extremamente rápida e ansiosa, que quer respostas de forma rápida. “Se for demorar para responder, é melhor não estar presente nas redes sociais”.

3. Deixar os canais desatualizados
Outro erro grave é deixar os canais da empresa abandonados. A análise da Social Media Trends 2017 demonstrou que, quanto maior a frequência de publicação nas Redes Sociais, maior o número de visitantes para o blog das empresas, ou seja, maior o resultado. Porém, segundo o professor, a frequência deve ser equilibrada. “Se você atualiza as redes sociais de forma exagerada, o próprio algoritmo do Facebook, Instagram, Youtube, etc, vai entender que a publicação anterior é mais fraca e vai tirar a força do post anterior”. E o inverso também é válido: “é preciso ter frequência para que o algoritmo entenda que você é um criador profissional de conteúdo”. No YouTube, é preciso postar pelo menos um vídeo por semana, para que o algoritmo entenda isso. E no Facebook, a sugestão é que não se agende os posts. “O algorítmo tira parte da força da postagem quando as mensagens são agendadas”, explica Harmata.

4. Não gerar conteúdo de valor
Antes de fazer uma inserção em uma comunidade online, a marca deve pensar no ponto de vista da audiência. Esse conteúdo trará informações relevantes ou, de algum modo, satisfatórias para seus seguidores? Além de ser mais interessante para quem lê, os formatos com mais conteúdo, como infográficos, vídeos explicativos e etc. são mais aceitos pelas plataformas. “Se pensarmos no algoritmo, ele vai mostrar em primeiro lugar os vídeos, em segundo lugar as imagens e em terceiro lugar o texto. Então é preciso pensar no audiovisual para ter mais engajamento”, revela o professor. Nas imagens, a sugestão é deixar com pouco texto: quanto menos texto tiver, melhor o engajamento. Ainda vale a sugestão de trabalhar somente com 20% de texto para cada imagem.

5. Esquecer a plataforma mobile
Pensar no mobile é uma das maiores dicas da atualidade. Em pouquíssimo tempo inverteu-se completamente a lógica de consumo de informação. Na maioria dos nichos, a maior parte do conteúdo é visto no mobile. Hoje, 80% do tempo gasto nas redes sociais acontece via dispositivos móveis, como tablets e smartphones, segundo dados da comScore Media Multi-platform & Mobile Metrix. No Youtube, mais da metade das visualizações são originárias de celulares. Logo, é necessário que as marcas criem conteúdos responsivos e, de preferência, diferenciados, para essas plataformas. Para Harmata, “ignorar a força dos smartphones é um erro que, infelizmente, muitas empresas ainda cometem. Você tem que ir aonde o seu público está e, atualmente, ele está no próprio bolso”.

6. Deixar de investir
Sem deixar de lado o bom conteúdo, a marca precisa impulsionar seu alcance online. “São inúmeras empresas disputando a atenção do público, não só com os concorrentes, mas também com a mãe, a irmã e os amigos próximos de quem está lendo. Então, investir para aparecer na timeline dessas pessoas e alcançar o público alvo com segmentação é a melhor forma de aumentar sua rede, de forma certeira e barata. Não dá para se contentar apenas com alcance orgânico”, ressalta o professor.

7. Não estar atento ao novo
É preciso estar sempre atualizado para ver o que é tendência e o que muda no meio digital. Nesse meio as novidades são muito rápidas e quem está atualizado costuma ter melhores resultados quando adere ao novo. Harmata cita o exemplo do Snapchat: “ano passado, a grande novidade era o Snapchat. Neste ano, a ideia de stories já foi incorporada por quase todas as redes sociais. Então é preciso sempre estar atento para ver o que tem de novo surgindo”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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