Empresas do Paraná ainda não são alvos frequentes dos fundos, mas o cenário tende a mudar

Um dos estados mais importantes na composição do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o Paraná ainda não sente o apetite dos fundos de private equity com tanta voracidade quanto outros estados com importância semelhante no cenário nacional. Mas isso tende a mudar. É o que constata uma análise do Ártica, uma das principais boutiques financeiras líderes em fusões e aquisições no Brasil, realizada em sua base de dados, com quase 100 fundos, listados entre os maiores do mercado empresarial brasileiro. Desse total, apenas um declara sede fixa no Paraná. São Paulo, claro, dispara no ranking, com 54 ou mais de 50% da base pesquisada; seguido por Rio de Janeiro, com 15; e Minas Gerais, com cinco, apenas para citar os estados que mais sediam esses investidores empresariais.
Os fundos de private equity são aqueles que investem em empresas em fase de consolidação, reestruturação e que buscam recursos no mercado para expandir os negócios. No total, entre estrangeiros e nacionais, mais de 150 fundos operam no País. Eles devem investir em 2018, aproximadamente 30% a mais em relação aos aportes realizados no ano passado, de R$ 11,3 bilhões, conforme prevê a ABVCAP – Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital, que estima que esse valor ficou estável ante ao aplicado em 2016, em razão da crise econômica e da instabilidade política.
Antonio Pacheco, sócio do Gaia Silva Gaede Advogados, acredita que uma das razões para o Paraná ter um número menor de sedes de fundos está na própria resistência das empresas da região, geralmente familiares e pouco abertas a essas operações. “Muitas consideram mais complexas do que realmente são; outras têm preconceitos realmente sem fundamentos, uma vez que temos mais exemplos de benefícios para o crescimento dos negócios do que o contrário”, diz Pacheco, que é especialista em processo de fusões e aquisições e Direito Tributário, Societário e Contratual.
Luiz Penno**, sócio-fundador do Ártica, endossa a opinião de Pacheco, mas complementa que o acesso menor aos fundos de private equity, como prova a pesquisa da empresa que dirige, também colabora para esse quadro. Um cenário que, entretanto, tende a mudar, na opinião dos dois executivos, que percebem um interesse crescente tanto das empresas como dos fundos, a partir inclusive das operações bem sucedidas realizadas no próprio estado e também por causa do grande potencial das companhias locais, como afirmam.
Oportunidades e riscos
Com a finalidade de reduzir estigmas e ampliar as oportunidades de disponibilidade de capital imprescindível ao crescimento das empresas, o Gaia Silva e Gaede Advogados promove no dia 17 de abril, em Curitiba, o evento “Private Equity: uma indústria pouco explorada no Paraná”, para levar às empresas informações relevantes para a tomada de decisões, afirma Pacheco. Na ocasião, será apresentado o resultado final da pesquisa “Empresas Investidas por Fundos de Private Equity no Brasil: Lições Aprendidas”, elaborada pelo Ártica em parceria com Endeavor Brasil e Insper, ainda inédita no estado. “Além do estudo, teremos uma mesa redonda com gestores de fundos importantes no cenário brasileiro, como Trivèlla M3 e a Advent”, pontua Pacheco.
A pesquisa da Ártica foi realizada com 46 empresários que foram sócios de fundos de private equity e relatam como foi essa experiência, os prós e contras de se associar a fundos de investimentos. Essas empresas, juntas, somam 220 anos de história e um total de RS$ 6,4 bilhões investidos, aportes realizados por 42 gestoras de fundos distintas. Os nomes de empresas, empresários e fundos são mantidos em sigilo, mas Penno afirma que há experiência de investimento em companhia paranaense no estudo.
“Decidimos fazer essa pesquisa porque percebemos que o empresário tem muitas dúvidas em relação a essas operações e não havia nada disponível na literatura, seja nacional ou estrangeira, que pudesse balizar sua decisão, que muitas vezes é a decisão de uma vida. Levamos quase dois anos apurando, elaborando entrevistas e temos agora um estudo rico, recheado de dados, mas acima de tudo das lições apreendidas que são agora fontes de informação bastantes relevantes para quem precisa desse tipo de investimento para alavancar suas empresas”, explica Penno.
Empresários recomendam
Entre as constatações, está a de que grande parte dos empresários não se prepara para receber um fundo antes de fechar o negócio, sendo reativo à primeira proposta. “Ou seja, fechou negócio com o primeiro que bateu à porta sem verificar se havia chances de propostas melhores, e muitas vezes há, porque temos mais de 150 fundos e eles estão em busca de bons negócios. Outro dado importante é que as empresas também não têm o cuidado de buscar informações com outras companhias que já estão investidas pelo mesmo fundo para ter uma avaliação melhor de como será o processo”, diz o executivo do Ártica, observando que, mesmo com relato de transações mal sucedidas, quase 100% dos entrevistados disseram que recomendariam a sociedade com fundos.
“Não apenas o que deu certo, mas especialmente as ações que deram erradas, em ambas as partes, vão servir de referência e podem ser determinantes para o sucesso das próximas operações, uma vez que essa pesquisa permite conhecer com muita profundidade esses erros para que não se repitam”, afirma o advogado do Gaia Silva Gaede Advogados, que contabiliza uma equipe com cerca de 100 profissionais apenas na sua divisão em Curitiba e se distingue no mercado do Direito Empresarial por conhecer todas as etapas dos negócios de seus clientes, incluindo consultoria e assessoria a empresas de todos os portes que buscam essa alternativa de investimento.








