Especialista aponta Tesouro IPCA+ como opção para garantir aposentadoria

Especialista aponta Tesouro IPCA+ como opção para garantir aposentadoria

O modelo de capitalização na Previdência Social gerida por um sistema semelhante ao da Previdência Privada, modelo defendido pelo núcleo da Casa Civil do governo, pode ser uma boa alternativa para aqueles trabalhadores que ingressarem no sistema após as mudanças, mas vai depender de algumas correções no modelo, visto que no Chile, país que possui um modelo semelhante ao que o governo propõe, alguns aposentados estão recebendo menos que um salário mínimo.

A opinião é do sócio-proprietário da Goldrock Investimentos, Paulo Trauchinski, que aponta também o Tesouro IPCA+ como uma boa opção de investimento a longo prazo por dar uma rentabilidade real acima da inflação. “É o melhor investimento a longo prazo”, defende Trauchinski, complementando que a capitalização, no caso da reforma proposta, proporciona ao segurado do INSS uma poupança individual ao longo dos anos, diferente do modelo atual em que os trabalhadores na ativa pagam para os já aposentados.

Há outros dois investimentos do Tesouro Direto, além do IPCA+: o Tesouro Selic que paga 100% da Taxa Selic, e o Tesouro Pré com taxa pré-fixada que permite saber quanto vai render ao ano. Cada papel possui vantagens e desvantagens. Segundo Trauchinski, antes de fazer qualquer escolha, converse com um profissional da área de investimentos, este profissional poderá lhe ajudar a fazer a escolha certa.

Transição

Na transição, haveria um período de adaptação entre os dois sistemas, que deverá ser financiado pelo governo de alguma forma. Na proposta da nova previdência cada trabalhador faz a própria poupança, que é depositada em uma conta individual, em vez de ir para um fundo coletivo. Porém os aposentados do modelo atual ficariam “sem fundos”. Existe também um modelo misto a ser estudado, onde cada indivíduo contribui um pouco para o fundo coletivo e um pouco para o fundo individual.

Para Trauchinski, grande parte dos problemas enfrentados pelo Chile estão relacionados ao fato de que muitas pessoas não podem contribuir o suficiente durante a faze produtiva para recolher o benefício depois, na aposentadoria – e que essa questão, muito atrelada ao trabalho informal, existiria qualquer que fosse o modelo adotado. O modelo de capitalização tem a desvantagem de não garantir uma aposentadoria mínima para o cidadão.

Para Trauchinski, o modelo misto, onde o Estado garante um aposentadoria mínima e valores acima do mínimo dever ser frutos da poupança individual de cada um ao longo da vida produtiva, parece ser o melhor modelo. Se as novas regras da aposentadoria forem copiadas no modelo de capitalização chileno o segurado terá perdas. Segundo estudos do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP) o modelo de capitalização do Chile ocasionou perdas de 70% por cento na aposentadoria dos segurados. A imprensa chilena relatou vários casos de suicídio de idosos sugerindo estarem relacionados ao fato destes aposentados receberem menos que um salário mínimo no sistema de capitalização.

Trauchinski explica ainda que se o governo quiser mudar as regras vai ter que se articular para mudar as leis no Congresso. Enfático, ele diz que “ou todo mundo corta na carne, inclusive políticos e militares, por exemplo, e se enquadra nas mudanças, ou as próximas gerações não terão dinheiro para receber a aposentadoria”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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