E agora, Neymar? Lições às empresas em momentos de crise

E agora, Neymar? Lições às empresas em momentos de crise
Daniel Domeneghetti

Neymar e polêmicas parecem um binômio nos últimos tempos. Diferente das outras que estavam ligadas à sua atuação pouco natural dentro do campo ou à sua vida amorosa, o caso agora é mais sério. Envolve uma acusação de estupro.

Culpado ou não, pois não cabe a nós julgarmos, já que isso é uma atribuição das autoridades competentes acionadas para resolver o caso, o fato é que nem as mais poderosas celebridades estão imunes à uma crise de imagem. Assim como outras grandes personalidades, Neymar é uma empresa, é pessoa jurídica. Sua figura é cerceada de meticulosas estratégias empáticas, metas e indicadores de impactos internos e externos, como nas maiores companhias do mundo. Se o resultado estiver abaixo do esperado, é preciso reverter a estratégia.

Pelo bem e pelo mal, não é (e não será) a última celebridade envolvida em um escândalo desta magnitude. Entretanto, é certo de que esta crise pode mudar (ou formar) a opinião de seus patrocinadores e admiradores, colocando em risco a confiança, a reputação e até mesmo a lucratividade da marca e pessoa Neymar. Neste momento, o refrão da música torna-se realidade e toda a equipe do atleta deve estar atenta e forte para reverter os danos causados externamente, principalmente. Ainda mais diante da exposição que ele terá nos próximos dias na Copa América. Isto é, se for escalado.

Propagandas arraigadas de discursos superlativos de superação ou novos cortes de cabelos não serão suficientes para reerguer a empatia de Neymar perante o público brasileiro. A teoria do professor norte-americano John Dewey é confirmada aqui: “O aprendizado só ocorre quando há uma situação de problema real para se resolver”.

E tanto o aprendizado, quanto a resolução, estão na prática. Rever os planos de marketing, mudar estratégias publicitárias e, se for o caso, até suspender quaisquer ações promocionais, que abram precedentes para inflamar ainda mais crise, são táticas imediatas que a equipe de Neymar deverá recorrer nas próximas horas. Outra saída é monitorar veículos de imprensa e canais de relacionamento com o mercado, tais como clientes e rede sociais, que têm uma grande interação com a sociedade.

Hoje em dia usar a mídia a seu favor, sem pensar nas causas, não é das tarefas mais certas. Vivenciamos tempos de redes sociais. Justiceiros e paladinos da justiça sem cara apontam o dedo no povoado terreno fértil da internet. Falar sem pensar é o mesmo do que atirar sem mirar.

Dialogar é importante em casos práticos de crise. Por isso, a figura do porta-voz é valiosa neste processo de reconstrução de imagem. Neste contexto, o “cara” da voz tem que ser única e exclusivamente Neymar, aquele que não usa de cerimonias para falar com sua comunidade. As pessoas levam mais em consideração as opiniões de indivíduos que têm fala comuns do que discursos polidos e encenados. À propósito, não esquecemos de seu silêncio na derrota por 2 a 1 para a Bélgica na Copa do Mundo passada.

Com uma imagem arranhada desde o torneio da Rússia, Neymar precisa sucumbir em um intenso trabalho de marketing e criar uma mensagem consistente dentro e fora de sua rede social, indo além do 119 milhões de seguidores no Instagram.

Neste momento, que era hora de silêncio, Neymar quebrou regras e falou, mas piorou a situação. A emenda ficou pior do que o soneto. E em meio às turbulências, o caminho que resta, além de estratégias criadas por sua equipe, é jogar bola. Afinal, fazer o que é proposto nunca é demais. O combinado não sai caro.

O artigo foi escrito por Daniel Domeneghetti, que é especialista de marketing branding, práticas digitais no relacionamento com cliente e CEO da DOM Strategy Partners, consultoria 100% nacional focada em maximizar geração e proteção de valor real para as empresas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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