Promoção de filhos e parentes na empresa: atitude pode desmotivar colaboradores e destruir a reputação da companhia

Promoção de filhos e parentes na empresa: atitude pode desmotivar colaboradores e destruir a reputação da companhia

A promoção de um familiar na companhia, por mais capacitado que ele seja, pode trazer muita dor de cabeça se não for feita da maneira correta. Uma atitude como esta pode colocar a imagem da empresa em risco. Quem faz o alerta é Roberto Picino, diretor executivo da Michael Page, consultoria especializada no recrutamento de alta e média gerência, parte do PageGroup.

“As empresas precisam respeitar os processos na hora de promover um profissional, especialmente se ele tiver alguma ligação afetiva ou familiar com os donos da companhia. Se existir no quadro de colaboradores algum funcionário que esteja em um melhor momento de carreira, é necessário que ele seja prestigiado antes do familiar. Cabe ao colaborador ligado aos donos da empresa se aperfeiçoar, melhorar habilidades técnicas e aguardar uma próxima oportunidade, sem desanimar”, comenta Picino.

Confira a análise completa do diretor, que listou seis cuidados essenciais para não desgastar a imagem de uma empresa:

1 – Respeite os processos de promoção (observe o seu time de colaboradores e respeite quem está mais preparado)

Ao abrir concorrência para promoção interna em uma empresa, é essencial que seja por meio do preparo técnico e de perfil mais adequado. ” Num cenário que você pode promover um colaborador, procure prestigiar o profissional que está realmente preparado para ascender na empresa. Nem sempre o seu familiar ou pessoa próxima à sua família está no momento ideal para uma promoção. Respeitar o momento de cada um é essencial para não desmotivar o time e não afastar futuros talentos”, comenta Picino.

2 – Sua empresa tem processos de promoção claro? (ter uma linha de processos é necessário para que todos tenham a mesma oportunidade)

As corporações costumam definir métricas para promover seus colaboradores por meio de analises de competência e processos uniformes de seleção. Mas, em muitos casos, é comum ver esses processos serem burlados, especialmente em empresas de nicho familiar. “As empresas precisam deixar claro por meio das regras de governança, ainda durante o processo de contratação, como funciona a política de promoção na empresa, em quanto tempo eles irão falar sobre o tema e que tipo de perfil comportamental é esperado ao analisar uma possível promoção. É essencial que esteja claro para o colaborador, assim ele saberá que uma promoção não foi injusta”, comenta o diretor.

3 – Relacionamento amoroso dentro da empresa precisa ter regras (as empresas que permitem precisam determinar sobre a relação profissional direta)

É comum surgirem relacionamentos amorosos nas empresas. Afinal, as pessoas passam a maior parte do tempo no ambiente corporativo. Mesmo que uma empresa permita esse tipo de relacionamento, devem existir regras claras para evitar ruídos. “Hoje é comum que empresas permitam o relacionamento amoroso entre colaboradores, não existe problema em relação a isso. Porém, mesmo em ambientes mais flexíveis, devem existir regras para boa convivência. A principal é evitar que o casal tenha uma relação de trabalho direta, especialmente se for um relacionamento entre superior e uma pessoa de nível operacional. Nesse caso, uma promoção mesmo que por mérito, pode passar a impressão de favorecimento, causando ruídos entre os colaboradores”, comenta Picino.

4 – Se existe a intenção de preparar um herdeiro para empresa, é necessário que ele passe por todas etapas (conhecer todo o processo de trabalho desde a base é essencial e demonstra respeito com os outros colaboradores)

Alguns CEOs de empresas com nicho familiar costumam deixar claro que pretendem passar o controle para um herdeiro. É uma prática comum em empresas mais antigas, desde que seja feita respeitando etapas. “É importante que o herdeiro passe por todos os processos e cargos até chegar numa posição de CEO. O ideal é que ele comece na base como estagiário ou aprendiz. Não estipule um prazo para que o sucessor atinja o cargo máximo na empresa: o crescimento deve ser orgânico e de acordo com a capacidade adquirida. Diante desse cenário, se imperativo, promova outros colaboradores que estão mais preparados no momento. Você estará respeitando os seus profissionais e até mesmo o familiar que pretende efetivar como CEO no futuro”, comenta Picino.

5 – É preciso abrir mão do profissional familiar caso ele não tenha o perfil da empresa (você precisa contratar pensando em habilidades técnicas antes de pensar em relações afetivas)

Mesmo que a sua intenção seja prestigiar um familiar, é necessário abrir mão da ideia caso ele não se encaixe no perfil da sua empresa. “Se a sua ideia é preparar algum parente ou pessoa próxima à família para integrar o quadro de funcionários, você deve analisar e conversar sobre a possibilidade com os gestores de sua empresa. Nem sempre o profissional familiar se encaixa no perfil desejado, ou não tem os valores que refletem o que a companhia procura. Nesse caso, a melhor opção é contratar alguém disponível no mercado e que pode se tornar um profissional exemplar. Você estará abrindo portas para talentos promissores e que podem trazer novas ideias”, afirma o diretor.

6 – Evite promover familiares em empresas localizadas nos grandes centros (normalmente são empresas de maior visibilidade)

Grandes empresas que se instalam em cidades menores costumam privilegiar o recrutamento de mão de obra local. Acaba sendo comum familiares trabalharem juntos e prestigiados durante uma promoção. Em mercados maiores essa prática não é bem vista. “Pode denotar falta de governança, injustiça e até mesmo falta de modernidade nos processos, o que pode prejudicar os negócios. Caso sua empresa esteja em um grande centro e exista a intenção de promover um familiar a cargos de gerência, consulte o RH de sua companhia sobre o momento do profissional e prepare o mercado para a notícia. Mostrar que os ritos de promoção foram cumpridos e o profissional foi avaliado da mesma forma que os outros colaboradores pode evitar desgastes da imagem da sua empresa com o mercado”, finaliza Picino.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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