Novo ciclo de investimentos no Porto de Paranaguá coloca acessos rodoviários no centro do debate

Porto paranaense recebe investimentos de R$ 6,8 bilhões
O Porto de Paranaguá executa um ciclo de R$ 6,8 bilhões em investimentos para ampliar sua capacidade operacional, modernizar a infraestrutura e enfrentar a concorrência de outros corredores de exportação. As iniciativas incluem melhorias nos acessos terrestres, expansão ferroviária, digitalização das operações e novos projetos portuários, em um momento de forte crescimento: em 2025, os portos paranaenses movimentaram o recorde de 73,5 milhões de toneladas, volume 10,1% superior ao registrado no ano anterior.
A pressão sobre a infraestrutura rodoviária também pode ser observada no Pátio Público de Triagem de Paranaguá, que recebeu 507.915 caminhões em 2025, crescimento de 29,5% em relação a 2024. Com 330 mil metros quadrados e mil vagas de estacionamento, a unidade chegou a receber 2.523 veículos carregados de grãos e farelos em apenas 24 horas, superando sua capacidade projetada de atendimento diário.
Para Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), os investimentos dentro do complexo precisam ser acompanhados por uma modernização contínua dos acessos.
“O porto pode ampliar sua capacidade de recepção e embarque, mas, se o caminhão continuar levando horas para entrar ou sair, o investimento não se traduz em eficiência real. Terminal, pátio, rodovia e sistemas de agendamento precisam funcionar como um fluxo contínuo. Do contrário, o ganho de capacidade interna se transforma em fila do lado de fora”, afirma Nery.
Implantação do Moegão
A integração entre os modais ganha ainda mais importância diante da implantação do Moegão, complexo ferroviário que recebeu investimento superior a R$ 650 milhões e foi projetado para movimentar até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano. Ao mesmo tempo, Paranaguá enfrenta a expansão dos portos do Arco Norte, que, em 2025, responderam por 36,2% das exportações brasileiras de soja e 48% das vendas externas de milho, enquanto o porto paranaense concentrou, respectivamente, 13,4% e 10,4% desses embarques.
Nery avalia que o avanço ferroviário pode reduzir a pressão sobre as estradas nos períodos de safra, mas não elimina a necessidade de investimentos rodoviários. “A ferrovia é fundamental para cargas de grande volume, mas não substitui o caminhão. O transporte rodoviário continuará indispensável na coleta nas origens, na movimentação de contêineres, nas cargas fracionadas e nas operações que exigem capilaridade e flexibilidade. A expansão ferroviária deve organizar melhor a distribuição das cargas, e não servir como justificativa para postergar melhorias na BR-277”, destaca.
Segundo o vice-presidente do Setcepar, a eficiência precisa ser medida pelo ciclo completo da operação, considerando rodovia, pedágio, combustível, pátio de triagem, agendamento e acesso aos terminais. “Investimentos em berços, armazéns e equipamentos melhoram a operação do portão para dentro, mas o transportador mede o tempo desde a saída da origem até o retorno do veículo. Paranaguá somente continuará competitivo se a modernização portuária for acompanhada por acessos seguros, pátios com capacidade adequada, sistemas integrados e diálogo entre a administração portuária, o poder concedente das rodovias, o governo e o Transporte Rodoviário de Cargas”, conclui.
Crédito da foto: Ivan Bueno








