Investimento dos brasileiros em previdência privada cresceu 52% em julho deste ano

A queda na taxa de juros continua impulsionando o apetite por risco dos participantes dos planos de previdência complementar aberta. Os números fechados em julho mostram que 12,05% das reservas do sistema já estão alocados em fundos multimercado, com maior exposição a ativos de renda variável. Em julho de 2018, o índice de alocação neste tipo de fundo era de 10,2%.
A indústria de previdência privada complementar aberta registrou forte crescimento no mês de julho. Os novos aportes dos investidores nos planos de previdência no período somaram R$ 12,4 bilhões, valor 52% maior que o verificado em igual período do ano anterior. Os dados são da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), entidade que representa 67 seguradoras e entidades abertas de previdência complementar no país.
A captação líquida (diferença entre novos depósitos e resgates) bateu a marca de R$ 6,4 bilhões, com expansão de 168,2% frente a julho do ano anterior.
Atualmente, 13,2 milhões de brasileiros têm um plano de previdência. Com o crescimento no volume das aplicações em previdência privada, as reservas dos planos de previdência alcançaram a marca de R$ 898,7 bilhões, montante 12,9% superior ao registrado em julho de 2018.
“Já havíamos identificado uma forte retomada das contribuições no primeiro semestre deste ano e os dados de julho confirmam que os indivíduos estão ampliando suas contribuições em planos de previdência para garantir renda complementar na aposentadoria”, diz Jorge Nasser, presidente da FenaPrevi.
No mês de julho, segundo a FenaPrevi, os planos VGBL lideraram os novos depósitos, com 93% dos aportes realizados no período. Os planos PGBL responderam por 6% dos novos ingressos no mês. O 1% restante dos depósitos foi direcionado para planos tradicionais, não mais comercializados pelas seguradoras.
Os planos individuais lideram a captação no período, com 90% novos depósitos. Os planos coletivos, oferecidos por empresas a seus funcionários, responderam por 9% do total da captação no mês. Os planos para menores, por sua vez, ficaram com 1% das contribuições.
Maior procura por fundos multimercado
A queda na taxa de juros impulsiona o apetite por risco dos participantes dos planos de previdência complementar aberta. Os números fechados em julho mostram que 12,05% das reservas do sistema já estão alocados em fundos multimercado, com maior exposição a ativos de renda variável. Em julho de 2018, o índice de alocação neste tipo de fundo era de 10,2%.
Resultado de janeiro a julho
No acumulado de janeiro a julho, a previdência complementar aberta registrou R$ 68,2 bilhões em novos depósitos, consolidando um crescimento de 14,3% frente ao mesmo período do ano anterior.
A captação líquida no cumulado dos sete primeiros meses do ano fechou em R$ 26,8 bilhões, volume 38,4% maior que o verificado em igual intervalo do ano anterior.
Dicas para investir em Previdência Privada
A opção por planos de previdência privada deve considerar e priorizar uma visão de longo prazo, dada a tributação diferenciada para o participante. No PGBL, modalidade de plano indicada para quem declara o Imposto de Renda (IR) pelo formulário completo, o participante pode deduzir anualmente da base de cálculo do tributo, o valor total das contribuições a ele efetuadas durante o exercício social, até o limite de 12% da sua renda bruta, reduzindo o imposto a pagar ou, até mesmo, podendo ter direito à restituição.
É o chamado diferimento fiscal, ou seja, o pagamento do IR devido sobre esses recursos, acrescidos dos rendimentos auferidos, é realizado apenas no momento do resgate total ou parcial, ou do recebimento do benefício.
Para usufruir da dedução, o participante desse tipo de plano tem de estar contribuindo para a previdência oficial, inclusive no caso do titular, com mais de 16 anos, ser dependente de quem faz a declaração do imposto de renda.
Já no VGBL, modalidade de plano indicada para quem declara o Imposto de Renda pelo formulário simplificado, para quem se encontra na faixa de isenção do IR, ou para quem já atingiu o limite de dedução previsto para a previdência complementar (12% da renda bruta), não é possível deduzir da base de cálculo do IR os valores dos aportes realizados ao plano. No entanto, no momento do resgate ou do recebimento do benefício, o IR incide apenas sobre o valor dos rendimentos auferidos, e não sobre o valor total do resgate ou do benefício recebido, como ocorre no PGBL.
É importante destacar que, para ambas as famílias de planos (PGBL e VGBL), não há cobrança do imposto de renda a cada seis meses, sobre os rendimentos obtidos, como ocorre em alguns tipos de aplicações.
Outra característica dessas famílias de planos (PGBL e VGBL) é a possibilidade do participante, quando do ingresso no plano, optar pelo regime de alíquotas regressivas do imposto de renda, significando, deste modo, que, quanto mais tempo os recursos permanecerem nesses planos, menor será a alíquota do Imposto de Renda incidente quando do resgate de recursos ou de recebimento do benefício.








