Para 72% dos empreendedores negros, abrir um negócio próprio é mais vantajoso do que estar no mercado de trabalho

Para 72% dos empreendedores negros, abrir um negócio próprio é mais vantajoso do que estar no mercado de trabalho

Conhecer o perfil, entender o cenário do empreendedorismo negro e mapear o potencial dos mais de 14 milhões de afroempreendedores no Brasil, para desenvolver soluções que apoiem e impulsionem este ecossistema foi o objetivo da pesquisa Estudo do Empreendedorismo Negro No Brasil, divulgada nesta quarta-feira (04). 

O levantamento inédito, encomendado pela PretaHub, aceleradora do empreendedorismo negro no Brasil, em parceria com a Plano CDE e a JP Morgan, entrevistou 1.220 pessoas em todo país, entre julho e setembro de 2019.

Para o estudo, foram ouvidos 918 empreendedores negros e 302 brancos, de todas as classes sociais, entre 18 e 70 anos. Segundo a pesquisa, os afroempreendedores estão divididos em três perfis: necessidade, vocação e engajamento.

Necessidade: Motivados a empreender muitas vezes por necessidade ou situação de desemprego. A decisão de iniciar o negócio passa pelo incentivo de familiares e amigos, que muitas vezes são parceiros de trabalho. A maioria ainda não é formalizada, mas pretende se formalizar futuramente.

Vocação: Familiaridade com a atividade e desejo de ser autônomo, às vezes somados a dificuldade em se adequar no mercado de trabalho. A maioria é formalizada (possui registro MEI) por necessidade de estabelecer contratos de prestação de serviços.

Engajamento: Desejo de empreender, muitas vezes somado à vontade de exercer atividade auto afirmativa, voltada para o público afro. A maioria é formalizada (possui registro MEI)

Para chegar a esse resultado, foi realizada uma imersão etnográfica para a compreensão detalhada dos desafios dos três perfis encontrados. Dentro desta segmentação, 35% dos entrevistados empreendem por vocação, 34% por necessidade, 22% por engajamento e 9% apresentam perfil misto.

“Várias instituições pesquisam o mercado de empreendedorismo negro e a forma de viver e consumir desta população. Mas será que é para desenvolvê-lo da forma que a gente faria, de uma maneira que faça real sentido para nós? Esta segunda edição da pesquisa aposta em um trabalho feito de preto para preto. Mapeamos toda essa potência empreendedora para buscar, juntos, as melhores soluções, sempre com objetivo de mudar a chave do empreendimento por necessidade para um empreender por oportunidade de negócio”, explica Adriana Barbosa, CEO da PretaHub e presidente da Feira Preta.

Quem são os empreendedores negros?

Segundo o levantamento, entre os empreendedores negros entrevistados, 81% se identificam como pardo/mulato, e 18% como negro; 52% são mulheres; 40% deles estão no Sudeste; 31% no Nordeste; 12% Centro-oeste; 11% no Norte e 6% no Sul; 48% tem até o ensino médio completo, 37% possui renda entre R$ 2.000 e R$ 5.000 e mais da metade (72%), considera abrir um negócio próprio mais vantajoso do que estar no mercado de trabalho.

Entre as pessoas que empreendem por necessidade, 46% abriram um negócio próprio por falta de emprego e 83% não possuem funcionários ou parceiros. 51% das pessoas do perfil vocação sempre quiseram empreender, 85% viram sua renda crescer e 95% têm planos de evoluir o seu negócio e ampliar a empresa em um ano. Para 31% dos engajados, a maior qualidade como empreendedor é a articulação de sua cultura e seus produtos e 36% trabalham com negócios ligados à inovação.

“A pesquisa destaca a heterogeneidade dentro do afroempreendedorismo e traz dois novos perfis desses donos de negócios, quebrando o estereótipo do empreendedorismo por necessidade. Hoje, no Brasil, o negro empreende, em sua maioria, pelo desejo de ser autônomo e se auto afirmar, diversificou suas áreas de atuação, registrou aumento na renda e mais da metade desses empreendedores tem seu negócio formalizado e deseja vê-lo crescer nos próximos anos. O cenário é bastante positivo”, avalia Breno Barlach, gerente de projetos da Plano CDE.

Desafios

Acesso a crédito, gestão financeira e falta de apoio no planejamento e gestão do negócio aparecem como os principais desafios enfrentados por esses empreendedores: 32% já tiveram crédito negado sem explicação, 88% são os únicos responsáveis pela gestão financeira do negócio e a maioria deles conta apenas com recursos próprios ou de seus familiares para investirem.

Outros dados

• 58% dos empreendedores separam o dinheiro do negócio do orçamento da casa. Entre aqueles que empreendem por necessidade, o número se inverte: 57% organizam o dinheiro do negócio junto ao da casa.

• Apenas 3% acreditam que a dificuldade de acesso a crédito esteja ligada a questão racial;

• As redes sociais são a principal ferramenta de venda desses empreendedores. 45% utilizam o WhatsApp; 32% fazem uso de outras redes, como Instagram e Facebook, e menos da metade investe na comercialização via e-commerce (21% Sites/Blogs próprios; 20% Marketplace);

Desde o ano passado quando lançou sua primeira pesquisa, a Pretahub, tem o objetivo de entrevistar consumidores e empreendedores em todo o Brasil, com foco no desenvolvimento desses empreendimentos.

O estudo completo está disponivel neste link: http://drive.google.com/file/d/1GnwdImOWngqmriBukMRfgityOC37IP7c/view?usp=sharing

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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