Mais de 600 investidores internacionais pedem mais ações dos governos contra a crise climática

Mais de 600 investidores internacionais pedem mais ações dos governos contra a crise climática

Uma declaração de 631 investidores internacionais, que administram mais de US$ 37 trilhões em ativos, pede aos governos que intensifiquem os esforços para enfrentar a crise climática global e alcançar os objetivos do Acordo de Paris.

Apresentada nesta segunda-feira (9) durante a Conferência do Clima de Madri (COP 25), a “Declaração de Investidores Globais aos Governos sobre Mudança Climática” pede que os governos eliminem gradualmente a energia térmica do carvão, precifiquem as emissões de carbono, acabem com os subsídios aos combustíveis fósseis e atualizar e fortaleçam as contribuições nacionalmente determinadas (NDC) para cumprir as metas do Acordo de Paris.

“A mudança global para a energia limpa já está em andamento, mas muito precisa ser feito pelos governos para acelerar a transição para o baixo carbono e melhorar a resiliência de nossa economia, sociedade e sistema financeiro aos riscos climáticos”, diz a declaração. Os signatários advertem que os atuais compromissos governamentais deixam uma “lacuna de ambição” que não impedirá que a temperatura média global suba além do limite de 1,5oC, algo que a ciência alerta que poderia desencadear efeitos catastróficos e irreversíveis no clima global.

O apelo dos investidores à ação foi sublinhado pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, em sua declaração aos chefes de estado e de governo na abertura da COP 25. “Vejo a comunidade empresarial e a comunidade financeira muito ativas. Recebemos (…) uma carta dos líderes das entidades de gestão de ativos (…) pedindo aos líderes políticos que melhorem a ação climática, acabem com os subsídios aos combustíveis fósseis e coloquem um preço no carbono”, disse Guterres (texto aqui).

A assinatura da Declaração de Investidores Globais aos Governos sobre Mudança Climática é um exemplo de ação de policy advocacy da The Investor Agenda, lançada em 2018 por sete parceiros fundadores – Asia Investor Group on Climate Change, CDP; Ceres, Investor Group on Climate Change, Institutional Investors Group on Climate Change, Principles for Responsible Investment e UNEP Finance Initiative.

A The Investor Agenda é uma iniciativa colaborativa que visa acelerar e ampliar as ações dos investidores em todo o mundo, que são fundamentais para enfrentar a mudança do clima e alcançar as metas do Acordo de Paris com o objetivo de manter o aumento da temperatura média global em não mais do que 1,5oC. Ela proporciona aos investidores um conjunto de ações em quatro áreas principais: investimento, engajamento corporativo, divulgação de informações aos investidores, e policy advocacy.

“Investidores com US$ 37 trilhões em ativos sob gestão, exigindo que os líderes políticos atuem com rapidez e ousadia na crise climática, é algo extraordinário”, observou Mindy Lubber, CEO e presidente da Ceres. “Com a imensa influência que esses investidores possuem sobre nossa economia, os líderes políticos devem responder a esse chamado coletivo à ação com a urgência e a ambição necessárias para impulsionar uma economia de emissões líquidas zero”, concluiu.

“Os investidores estão cientes de que os governos deveriam ser muito mais ambiciosos na abordagem da mudança climática”, disse Stephanie Pfeifer, CEO do Institutional Investors Group on Climate Change (IIGCC). “A ciência mostra que precisamos alcançar a neutralidade climática até 2050, no mais tardar. Várias economias já estabeleceram metas de emissões líquidas zero e outros países devem agora seguir seu exemplo”.

“Como os investidores na Ásia e em todas as regiões estão cada vez mais buscando alocar seu capital em investimentos de baixo carbono, eles estão pedindo aos governos e formuladores de políticas que desbloqueiem as barreiras para permitir a transição necessária para economias de carbono líquido zero”, disse Rebecca Mikula-Wright, diretora do Asia Investor Group on Climate Change (AIGCC). “The Investor Agenda tem um papel fundamental a desempenhar como uma plataforma para apoiar os investidores a liderar a ambição e catalisar o investimento sustentável, enquanto promove o engajamento em todas as regiões e jurisdições”.

Para a diretora-executiva do Investor Group on Climate Change (IGCC), Emma Herd, “os investidores globais não poderiam ser mais claros: os governos devem intensificar e concretizar a ambição política necessária para gerir os custos da mudança do clima. Sem objetivos climáticos ambiciosos, apoiados por uma política de investimento, as mudanças do clima continuarão sendo um risco financeiro crescente”.

The Investor Agenda constitui um fórum mundial sem precedentes para os investidores acelerarem a ação em matéria de mudança do clima e impulsionarem a transformação dos mercados de capital, a fim de criar uma economia de baixo carbono compatível com a meta de 1,5oC”, aponta Paul Simpson, CEO da CDP. “Para isso, os investidores precisam tomar medidas adicionais por conta própria, mas também precisam de incentivos mais fortes dos governos”.

“Ambição e ação significativa dos governos, empresas e setor financeiro são imperativos para frear a atual trajetória do aquecimento global. Esses grupos devem agir agora para conter a emergência climática que o mundo enfrenta, alcançando os objetivos do Acordo de Paris e sua meta de aquecimento em 1,5oC”, disse Fiona Reynolds, CEO da Principles for Responsible Investment.

“Há uma urgência crescente para que os investidores e corporações ajam de acordo com os objetivos do Acordo de Paris. Hoje, a temperatura média global já subiu um grau centigrado com relação aos níveis pré-industriais”, disse Eric Usher, chefe da UNEP Finance Initiative. “Para manter o aumento da temperatura dentro da meta de 1,5oC, a liderança de dentro da comunidade de investidores será fundamental. The Investor Agenda é uma plataforma crítica para apoiar os investidores em suas ações individuais”.

Quase 1,2 mil investidores tomaram medidas em uma ou mais áreas de foco da The Investor Agenda desde 2018, de acordo com o relatório anual de progresso do projeto publicado em setembro passado. Mais de 750 investidores se envolveram ou influenciaram diretamente as empresas para agir sobre mudança do clima, e mais de 400 intensificaram sua própria divulgação de informações sobre clima, sendo que 260 deles estabeleceram metas climáticas para seus investimentos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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