Brasileiro está começando a investir, mas ainda está longe do ideal

Poupar não é um hábito do brasileiro. Apesar da forte correlação entre a renda e a capacidade de economizar, o imediatismo da nossa população e o desejo de realizar sonhos de consumo vem se sobrepondo à precaução de manter alguma reserva para o futuro.
Em 2017, uma pesquisa do Banco Mundial ranqueava o Brasil na 74ª posição entre 140 países, ao revelar que apenas 14% de nós haviam poupado no ano anterior. O curioso é que, à época, mesmo países com renda per capita inferior à nossa estavam melhor classificados.
A explicação pode estar relacionada ao passado recente, de inflação alta, que estimulava a compra frente à desvalorização da moeda ou mesmo ao status social, afinal comprar traz uma sensação de poder e de aceitação junto aos amigos.
A crença de que não se ganha o bastante para economizar parte da renda é um comportamento que prejudica o futuro financeiro pessoal, haja vista a variedade de produtos financeiros, com mínimo de aplicação de R$ 100,00, disponíveis para investimento. Esse tipo de atitude, no entanto, começa a ser repensado em razão da maior expectativa de vida e de taxas menores de juros básicos. Com a taxa Selic prevista a 4,5% ao ano até o final de 2019, deixar o dinheiro na poupança não será suficiente sequer para repor a inflação.
Outro alerta diz respeito à racionalização de programas assistenciais, trabalhistas e previdenciários do governo. Tais ajustes, somados ao fato de o brasileiro viver mais, precisam ser entendidos como uma necessidade iminente de economia de recursos.
Felizmente, a educação financeira para estimular o consumo consciente vem se popularizando, inclusive com programas televisivos e realities. Planejar, poupar e investir são palavras que devem fazer parte do vocabulário de todo brasileiro, para que ele possa assegurar um futuro financeiro com saúde e bem-estar.
O artigo foi escrito por Ana Rita Petraroli, que é sócia-fundadora do Petraroli Advogados








