‘Manobras tributárias’ da Zona Franca de Manaus causam prejuízos às indústrias regionais de refrigerantes

‘Manobras tributárias’ da Zona Franca de Manaus causam prejuízos às indústrias regionais de refrigerantes

Os incentivos fiscais concedidos a multinacionais de bebidas, como Coca-Cola, Ambev e Heineken, instaladas na Zona Franca de Manaus, vem prejudicando a sobrevivência de indústrias regionais de refrigerantes no Brasil. Segundo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério da Economia, o número de empresas de refrigerantes passou de 339, em 2007, para 218, em 2017, o que representa uma queda de 64%. De acordo com parlamentares e empresários, o declínio é reflexo de manobras tributárias que atrapalham o setor.

Durante o lançamento da Frente Parlamentar em defesa de pequenas e médias indústrias de bebidas, em setembro de 2019, deputados, senadores e representantes de bebidas regionais expressaram revolta e críticas severas à concessão de incentivos fiscais da Zona Franca. Eles afirmam que a primeira mudança a ser feita pelo governo, para melhorias no setor de refrigerantes no Brasil, é por um fim nos benefícios fiscais concedidos à multinacionais de bebidas instaladas em Manaus.

O diretor da indústria Bellpar Refrescos, Murilo Parise, contou que “ao longo dos anos, vem perdendo clientes e vendas por causa dos preços”. Ele afirma que a diferença de custos de multinacionais, como Coca-Cola, “é sustentada por manobras tributárias” do modelo Zona Franca de Manaus. A empresa está localizada em Conchas, a 210 quilômetros da capital paulista

“Eles [multinacionais de bebidas] têm a operação com o concentrado, que é superfaturado, o que traz um prejuízo sério, não só para indústrias, mas para munícipios e Estados. Todo mundo acaba perdendo”, lamenta o diretor.

O deputado federal (PRB-SC), Hélio Costa, acredita que as estratégias anticompetitivas de grandes empresas de bebidas que recebem benefícios fiscais resultam no fechamento de indústrias por todo Brasil. “A concorrência desleal das multinacionais, que tomam conta do mercado, provoca o desgaste das pequenas indústrias”, disse o parlamentar.

“Lá em Santa Catarina, por exemplo, muitas empresas já fecharam por conta da concorrência desleal das multinacionais que tomam conta dos supermercados”, lembrou Costa. “Isso vai provocando desgaste da pequena indústria”, criticou o parlamentar.

A gerente de marketing da indústria Saborama e Concentrados, que produz o refrigerante Grapette, Denise Roque, afirma que o setor de bebidas é um dos mais importantes para o crescimento e desenvolvimento econômico do país. Ela discorda da lei de incentivos que favorecem empresas multinacionais como Coca-Cola e Ambev, instaladas na Zona Franca de Manaus.

“Não tem como os pequenos fabricantes, que são maiores geradores de emprego, se manterem nessa mesma posição [de injustiças]”, reclamou. A indústria fica em Taboão da Serra, a cerca de 25 quilômetros de distância da capital São Paulo,

“Nós sofremos muito com a discrepância de tributos e incentivos entre as pequenas empresas fabricantes de bebidas e as multinacionais”, disse a gerente de marketing. “A gente sofre com essa concorrência desleal”, completou.

O presidente da Afrebras (Associação dos Fabricantes de Refrigerante do Brasil), Fernando Rodrigues de Bairros, afirma que a desigualdade tributária enfrentada por pequenas e médias empresas de bebidas é prejudicial ao setor. “A Zona Franca de Manaus destrói todo mercado brasileiro de bebidas. Quanto maior o faturamento [de empresas da Zona Franca] para dentro do Brasil, maiores são as transferências de créditos. Multinacionais não pagam um único centavo de IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]. Não é justo”, diz.

“Se as pequenas empresas de refrigerante pagam 0,5% sobre seu faturamento sobre IPI, porque Coca-Cola e Ambev não podem pagar?”, questiona Bairros. “O Brasil tem de ser um país mais sério, mais justo e mais correto, a ponto de fazer correções no setor de bebidas”, sugere o representante de bebidas brasileiras.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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