Gestores e funcionários têm diferentes visões sobre o progresso rumo à igualdade no trabalho

Existe uma lacuna significativa na forma como líderes e funcionários enxergam o progresso rumo à igualdade nas organizações e o fim dessa lacuna pode render benefícios significativos tanto para as empresas quanto para os funcionários, em especial as mulheres. É o que mostra novo levantamento realizado pela Accenture.
O estudo “Getting to Equal” inclui dados de 28 países, incluindo o Brasil, e mostra que as empresas se encontram em um ponto de inflexão: a força de trabalho de hoje se preocupa cada vez mais com a cultura organizacional e acredita que ela tem papel crítico no seu crescimento dentro da organização (de acordo com 77% das mulheres e 67% dos homens). Já 68% dos líderes acreditam que uma cultura organizacional inclusiva é fundamental no sucesso dos seus negócios.
Ao mesmo tempo, existe uma lacuna de percepção: entre os líderes, 68% acreditam criar ambientes empoderadores que dão a sensação de pertencimento aos funcionários. Apenas 36% dos funcionários concordam com essa afirmação, embora no Brasil esses percentuais aumentem para 89% e 46% respectivamente. Além disso, a proporção de funcionários que não se sentem parte de suas organizações é dez vezes maior do que os líderes imaginam (2% contra 20%).
Tópicos como diversidade e cultura organizacional estão no fim da lista de prioridades da maioria dos líderes. Enquanto a maioria prioriza fatores como desempenho financeiro e reconhecimento de marca (76%) e qualidade (72%), poucos colocam diversidade e cultura no topo de suas listas (34% e 21%, respectivamente).
“A criação de uma cultura de igualdade precisa ser prioridade na agenda de negócios. Tudo começa com a compreensão de que diversidade não é apenas a coisa certa a fazer, mas um imperativo na gestão de negócios que precisa ser tratado da mesma forma que qualquer outra prioridade estratégica,” explica Julie Sweet, CEO da Accenture. “Quando uma cultura organizacional forte e igualitária é priorizada, todos se beneficiam – como resultado, as organizações acessam maiores índices de inovação e crescimento.”
Diminua a lacuna, acelere o progresso
Alinhar as percepções dos líderes às de seus funcionários traria inúmeros benefícios. Todos – homens e mulheres – iriam avançar mais rapidamente e as empresas teriam um aumento estimado de 3,7 trilhões de dólares em lucros globais.
Se a lacuna de percepção entre líderes e funcionários fosse reduzida à metade, a pesquisa estima alguns reflexos positivos:
• A proporção de mulheres que se sentem parte de suas equipes com influência real sobre as decisões saltaria de 25% para 33%, aproximadamente.
• A taxa de retenção anual aumentaria 5% entre as mulheres e 1% entre os homens.
• A proporção de mulheres que desejam chegar a uma posição de liderança dentro de suas organizações aumentaria 21%.
O estudo vem em boa hora para os líderes, já que as expectativas dos clientes devem apenas aumentar: Grande parte da Geração Z está mais preocupada com a cultura do local de trabalho do que a Geração Baby Boomer (75% contra 64%, respectivamente).
“Líderes que colocam a equidade no topo de suas listas são capazes de construir uma cultura em que o sentimento de pertencimento atinge mais pessoas. Essas pessoas também se sentem mais capazes de inovar e podem contribuir melhor com o crescimento das organizações”, afirma Beatriz Sairafi, diretora de Recursos Humanos da Accenture Brasil.
“Reconhecer as lacunas de percepção e colaborar no desenvolvimento de soluções capazes de fechá-las é fundamental na construção de uma cultura de eleve a todos”, opina Beatriz Sairafi.
Os Formadores de Cultura
O estudo identifica uma pequena porcentagem de líderes – os chamados ‘Formadores de Cultura’ – que estão mais comprometidos com a construção de uma cultura igualitária. Esses líderes reconhecem a importância de fatores como remuneração transparente, licença familiar e liberdade de criação para ajudar no crescimento dos seus funcionários.
Formadores de Cultura têm mais chances de abordar problemas comuns no ambiente de trabalho, como igualdade de gêneros (52% contra 35% de todos os líderes) e assédio/discriminação sexual (51% contra 30%). São líderes que assumem responsabilidades e comandam organizações com quase duas vezes mais chances de anunciar publicamente uma meta como contratar e reter mais mulheres.
Embora apenas 6% dos líderes entrevistados são Formadores de Cultura, eles representam um grupo mais equilibrado em termos de gênero do que o grupo mais amplo de líderes entrevistados (45% mulheres contra 32% de todos os líderes, respectivamente).
Além disso, 68% deles são Millennials, comparado a 59% de todos os líderes. Eles têm mais chances de liderar organizações onde as pessoas estão avançando, inovando e se comprometendo ꟷ e os lucros dessas organizações chegam a ser quase três vezes maiores que os de seus pares.
Alcançando uma cultura de igualdade
O estudo indica medidas para ajudar a diminuir as lacunas de percepção e impulsionar o progresso rumo a uma cultura que beneficie a todos e permita que os líderes evoluam continuamente suas estratégias para atender às novas necessidades.
O estudo reafirma que uma liderança ousada, ações abrangentes e um ambiente empoderador são fundamentais na criação de uma cultura de igualdade:
• Liderança Ousada – Os líderes precisam acreditar firmemente que a cultura importa e deve ser priorizada. Por exemplo, avaliar o progresso rumo a uma cultura de igualdade, definindo e publicando metas; além de recompensar e reconhecer líderes e equipes em progresso. A cultura de igualdade começa no topo.
• Ações Abrangentes – Ir além dos dados. Os líderes devem incentivar o diálogo significativo e contínuo com os funcionários, considerando encontros presenciais, grupos focais e palestras. Além disso, conversas contínuas e em tempo real com os funcionários ajudam a capturar feedback e capacitar a liderança para impulsionar mudanças em menos tempo.
• Ambiente empoderador – Incentivar e cultivar os Formadores de Cultura. Criar oportunidades para que futuros Formadores de Cultura possam se candidatar e assumir papéis específicos relacionados à cultura em suas unidades ou departamentos, além de encontrar formas de reunir líderes e funcionários preocupados com a cultura para desenvolver soluções específicas e acionáveis.
Acesse o estudo global em http://accenture.com/gettingtoequal








