Associação repudia Abrasce por recusar isentar lojistas de shoppings do pagamento dos aluguéis

Associação repudia Abrasce por recusar isentar lojistas de shoppings do pagamento dos aluguéis

A Associação Brasileira de Franqueados (Asbraf) está repudiando a posição inflexível adotada pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), que anunciou, nesta segunda-feira (23), que não isentará os lojistas do pagamento dos aluguéis vencíveis durante a quarentena, período em que as lojas estarão fechadas para atendimento ao público. 

Apesar da Abrasce dizer que está realizando um esforço para que as despesas condominiais sejam reduzidas em cerca de 30%, estando as lojas fechadas, a Asbraf afirma sem compromisso com a exatidão, mas com fundamentos sólidos, que os rateios podem ser reduzidos em, pelo menos, 70%, tendo em vista que, com as lojas fechadas, o consumo de energia com iluminação, climatização, elevadores, escadas rolantes e outros equipamentos, bem como a própria manutenção e a faxina, serão reduzidos drasticamente.

Quanto à segurança, ela deve, sim, ser mantida e até reforçada, mas a Asbraf atenta que, ainda assim, os custos com outros colaboradores sofrerão uma enorme redução. Portanto, como condomínio é rateio de despesas, tal despesa deve ser planilhada.

Quanto à cobrança dos aluguéis, embora sua exigibilidade, segundo a Abrasce, poderá ser postergada, se afigura de forma absurda. O artigo 22, inciso II, da Lei do Inquilinato (9.245/91), estabelece que é obrigação do LOCADOR “garantir, durante o tempo de locação, o uso pacífico do imóvel”.

Diante disso, a Asfraf aponta que o que se configura na situação presente, uma excepcionalidade inimaginável, é que o locador, por motivo de força maior ou por um caso fortuito imprevisível, irresistível e inevitável, deixou de cumprir com sua parte no contrato. Ou seja, o locatário está impossibilitado de usufruir economicamente do imóvel. O locador, por motivo de força maior, está impossibilitado de cumprir com sua obrigação contratual, o que, desobriga o locatário de adimplir com o pagamento dos aluguéis enquanto tal situação perdurar.

A contrário senso, o artigo 393 do Código Civil (Lei 10.406/2002), estabelece que “o devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado”.  Então, a não ser que haja disposição contratual em contrário, o locatário está desobrigado de honrar com os pagamentos dos aluguéis vencíveis durante o período de isolamento social, em que as lojas estão impedidas, por meio de indicações dos governos, de funcionarem ao público.

A Associação de Franqueados explica que os shoppings centers abrigam grandes redes de lojas, com enorme poder econômico, mas a maioria é composta por pequenos e médios empresários, que fazem um sacrifício  para sobreviverem no mercado. “Em um momento em que todos no Brasil (e no mundo, excetuando-se a China, talvez) estão perdendo renda e fazendo sacrifícios na própria carne, os proprietários de shopping não podem ser egoístas a tal ponto de não se solidarizarem com a angústia imposta a toda a população”, destaca a Asbraf.

Segundo o presidente da Asbraf, Raul Canal, apenas a Multiplan obteve um lucro líquido de R$ 473 milhões em 2018, já o Iguatemi, R$ 260,32 milhões, e a BR Malls, apenas no 1º semestre de 2019, lucrou R$ 580 milhões. 

Ele afirma que em um momento drástico, a Associação Brasileira de Shopping Centers se nega a se solidarizar com os lojistas que pagam, não 12, mas 15 aluguéis por ano, a um valor médio recorde de R$ 1.547,00 o m².

O momento é de solidariedade e não de egoísmo, diz a Asbraf que cobrará , ainda nesta semana, do Ministério da Economia, a adoção de medidas legais para coibir tal abuso.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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