Mundo financeiro encontrará seu rumo, como no confisco de Collor e na greve dos caminhoneiros

Mundo financeiro encontrará seu rumo, como no confisco de Collor e na greve dos caminhoneiros

Quais os cenários e oportunidades que a pandemia do coronavírus está trazendo para o mercado de ações? O que fazer com os investimentos financeiros de renda variável? Para Daniel Alberini (foto), economista chefe da CTM Investimentos, uma das líderes no mercado nacional, o momento equivale a 1990, quando o governo Collor confiscou a poupança e derrubou o PIB em 5%.

Ele também faz menção aos efeitos da greve dos caminhoneiros de 2018, quando o país faturou apenas 11 dos 12 meses do ano, e à crise de 2008. Mas a visão não é catastrofista: “Na pior crise do capitalismo, as coisas encontraram seu rumo depois. Tudo vai passar”, diz.

Em tempos de incertezas para empresários e investidores, o World Trade Center Curitiba (WTC) ouviu Alberini, membro da EO (Entrepreneurs’ Organization) chapter Curitiba, em mais uma live em seu perfil no Instagram (@wtccuritiba). Apresentada pelo diretor executivo Milton Fabricio, a live fez parte da agenda de teleconferências e podcasts que o WTC Curitiba e Joinville iniciou em março para fomentar o ambiente de negócios – mesmo na impossibilidade de eventos presenciais.

Com MBA em Finanças e Investimentos pela FGV-SP e conselheiro das companhias de capital aberto desde 2013, Daniel Alberini atua há 15 anos no mercado financeiro e garante que pelo menos três experiências da história brasileira recente podem ajudar a definir os rumos que a economia irá tomar nos próximos meses. 

Ampliar a renda variável

O economista afirma que para os investidores mais de jovens, na faixa dos 30 a 40 anos, a pandemia mundial provavelmente será a grande pancada da década. “Isso está sendo construído agora. Mas não adianta esperar que o mercado melhore em 60 dias. O mercado vai passar por más notícias por um bom tempo. É preciso cuidado com as notícias. O mercado sobe com notícia ruim. Quando as pessoas comuns se ligarem para as notícias boas, de que é hora de investir, o mercado na verdade já estará recuperado”.

Na visão de Alberini, agora é um excelente momento para ampliar a renda variável. Mas para aquele investidor que não tem disponibilidade para aumentar, a recomendação é aguardar. “Com o patamar de juros de 3,75%, imaginando que daqui a 10 anos vamos ter juros de no máximo 6 a 7%, faria sentido para esse investidor ter no mínimo de 30 a 40% do seu portfolio em renda variável. Se ele ainda não tem isso, a oportunidade agora é fantástica. E para quem já tem isso, é hora de fazer um balanço da carteira, para recompor as perdas. Gradualmente por semana, de 1 a 2% por semana, a partir do portfólio de cada um.”

Aprendizados com a crise de 2008

Os bancos centrais pelo mundo estão agindo de forma forte e coordenada para evitar o colapso, deixar o sistema financeiro mais líquido e evitar os equívocos de 2008. “Há 12 anos, os bancos centrais deixaram os bancos quebrarem para se autorregularem. Acabou sendo um aprendizado. Hoje, eles estão mais agressivos e proativos. Também vale mencionar os pacotes econômicos anunciados pelos governos. O Brasil foi inteligente em esperar os anúncios dos pacotes da Europa e dos Estados Unidos, para seguir a mesma linha”, avalia.

Ainda relembrando o panorama de 2008, Alberini destaca que a tendência das pessoas é perder o horizonte, desanimar e liquidar os ativos, mas que é preciso calma. “Nós assistimos a esse movimento quando houve uma queda de 50% na bolsa. Quando isso acontece, a tendência é que haja uma perpetuação do status quo. Nós ainda não estamos nessa fase, acredito que é um processo gradual para os próximos 30 dias. Fizeram muitas previsões catastróficas na crise de 2008, mas 12 meses depois tivemos alta de 100% na bolsa. Então é preciso aguardar. Não se deixe levar pelas notícias dos próximos 30, 60 ou 90 dias. O cenário ainda é muito variável.”

Fundos imobiliários

O mercado imobiliário vinha numa recuperação interessante desde o ano passado. Em relação aos fundos imobiliários, o cenário mais provável é que essa recuperação passe por uma pausa devido ao aumento no desemprego e redução de renda.

“Os preços das cotas desses fundos caíram na mesma magnitude do preço das ações, por medo de inadimplência dos inquilinos. Caíram de 30 a 50%. Mas é preciso refletir: seu imóvel se desvaloriza por estar vazio? O valor do ativo no longo prazo não será retirado. Vejo um cenário de oportunidades nesses fundos. A maior besteira agora é liquidar os ativos por ansiedade. Lembre-se sempre daquele exemplo: você venderia sua cada por metade do preço por causa da pandemia?”, conclui Alberini.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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