Debêntures remuneradas pela inflação têm recuperação gradual

Debêntures remuneradas pela inflação têm recuperação gradual

As debêntures remuneradas pela inflação iniciaram um movimento gradual de recuperação após queda nas rentabilidades em março por causa da pandemia de Covid-19 e terminaram o primeiro semestre com retornos positivos. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os maiores resultados ficaram com os papéis emitidos pela Lei 12.431, com isenção de imposto de renda para pessoas físicas: o IDA-IPCA Infraestrutura, indicador que reflete esses títulos, encerrou o período com retorno de 1,43%.

O IDA-IPCA, índice que reúne todas as debêntures atreladas à inflação, e o IDA-IPCA ex-Infraestrutura, que acompanha os papéis de infraestrutura que não têm isenção do imposto de renda, registraram rentabilidades de 1,21% e 0,08%, respectivamente, no semestre.

“De maneira geral, as debêntures sofreram o maior impacto da crise logo no início da pandemia no Brasil. O IDA-IPCA chegou a registrar queda de 6% em março. Nos meses seguintes, a redução da volatilidade e a diminuição da taxa de juros contribuíram para que esses papéis se recuperassem”, explica afirma Hilton Notini, gerente de Preços e Índices da Anbima.

Os títulos de dívida privados indexados à taxa DI não acompanharam esse movimento: o IDA-DI, índice composto principalmente por ativos pós-fixados e com curtos prazos de vencimento, fechou o semestre com recuo de 1,89%. O resultado puxou o IDA-Geral, indicador que faz a média de todas as debêntures, para baixo, acumulando perda de 0,74%. “O resultado das debêntures indexadas à DI se explica pela mudança de risco de crédito, que impactou todo o mercado, e pelas novas revisões de queda da taxa de juros, que pressionaram para baixo o ajuste de preços dos ativos remunerados por essa taxa”, explica Hilton.

Risco

A percepção de risco das debêntures, medida pelo prêmio de risco dos papéis, teve uma alta no início da crise, refletindo as incertezas sobre os efeitos da pandemia no mercado, com os investidores vendendo seus ativos de crédito privado em troca de liquidez imediata. “Esse movimento foi se acalmando à medida que o governo divulgou medidas de flexibilização da política monetária para injetar liquidez no mercado secundário, movimento iniciado pelos mercados internacionais em maior escala”, explica Hilton.

O IDA-DI terminou junho com prêmio de risco de 2,68 pontos percentuais acima da carteira de títulos públicos de mesmo prazo e mesma remuneração – em abril, ele bateu a marca de 3,67% e, antes de março, girava em torno de 1,04%. Já o IDA-IPCA teve uma trajetória mais branda: foi de 1,20% em fevereiro para 1,94% em abril e fechou o semestre com 1,89%.

O prêmio de risco é a diferença de taxas entre debêntures e títulos públicos com prazos e remuneração semelhantes – por isso, quanto menor for a percepção sobre o risco daquele papel, menor será o prêmio exigido pelo mercado. “Mesmo que a percepção de risco dos investidores sobre as debêntures ainda não tenha voltado para os níveis pré-pandemia, há uma expectativa de que o IDA continue se valorizando, considerando a busca por ativos com rentabilidades mais atraentes diante da baixa taxa de juros”, avalia Hilton.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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