Cenário atual exige conhecimento para reduzir riscos de investimentos

“O câmbio, no qual o dólar fechou nesta quarta (26) a R$ 5,61 e na tarde desta quinta-feira (27), registrou uma leve queda, sendo negociado a R$ 5,56, e a Bolsa de Valores, com o Ibovespa caindo 0,13% até às 14h50, quando operava a 100 mil pontos, estão cada vez menos imunes às oscilações do quadro político”, observa William Teixeira, head de renda variável da Messem Investimentos. Ele se refere ao impacto nos mercados da rejeição pública do presidente Jair Bolsonaro à proposta relativa ao programa Renda Brasil apresentada pelo ministro Paulo Guedes, da Economia.
Para Teixeira, essa questão interna está influenciando muito mais os indicadores financeiros, cambiais e mobiliários do que episódios externos, como as divergências entre China e Estados Unidos e a nova política de estímulo econômico anunciada pelo FED norte-americano.
Equação complexa
“No centro das preocupações de nossos mercados encontra-se, na verdade, uma complexa equação, na qual há componentes políticos e econômicos”, frisa. Na avaliação do head da Messem, ” o governo precisa manter programas de renda para a população desempregada e desassistida, porque se trata de uma exigência de caráter social e econômico, quer fazer isso, inclusive pela agenda da estratégia de reeleição de Bolsonaro, mas tem imenso limite, que é o desequilíbrio fiscal do Estado, agravado pelos gastos necessários para o enfrentamento da Covid-19″.
O head de renda variável da Messem observa que o Brasil entrou na pandemia com dívida pública de 75% do PIB, mas se estima que sairá dela com algo em torno de 95% a 100%. “A incerteza de como o governo lidará com essa situação, que se agrava quando as divergências vêm a público, como ocorreu na fala de Bolsonaro, é o fator que mais está mantendo a instabilidade do câmbio e da Bolsa de Valores, somado, obviamente, à conjuntura de crise nacional e global provocada pelo novo coronavírus. Há, ainda, o temor de que uma possível demissão de Paulo Guedes coloque em risco os fundamentos de uma política econômica de maior responsabilidade fiscal, privatizações e enxugamento do Estado”.
Programa mais adequado
É provável que o Ministério da Economia estruture agora um programa de renda popular mais adequado à realidade orçamentária e enquadrada no teto dos gastos públicos. “A eventual redução da transferência de dinheiro público para a população desempregada e carente, porém, pode ter três consequências imediatas: impacto negativo no consumo, afetando a retomada da economia, o agravamento do quadro social e risco para a popularidade do presidente da República”, destaca Teixeira.
Na sua opinião, tudo isso continuará interferindo no câmbio, na bolsa e aplicações financeiras. “É necessário muito critério e conhecimento para investir, pois o cenário não está para amadorismo na hora de decidir o que fazer com o dinheiro ganho e poupado pelos brasileiros”, conclui.








