Reajustes abusivos dos insumos e falta de materiais devem prejudicar andamento das obras

O reajuste abusivo dos principais insumos utilizados na construção civil está tirando o sono de muitos empresários do setor, que também já encontram dificuldades para comprar alguns materiais, que estão em falta no mercado. E isso já começa a prejudicar o andamento das obras, bem como poderá encarecer o preço dos imóveis.
Eu conversei com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon), o engenheiro Rodrigo Assis (foto), e ele me disse que os aumentos de preços começaram em maio. No caso do cimento e aço, os reajustes variam de 45% a 60% e a alta do cobre atinge quase 70%. Quanto ao concreto usinado, as empresas subiram os preços em 40%.
Motivos da alta
A alegação para a alta do cimento é que com a pandemia, as indústrias desligaram os fornos e pararam de produzir. No entanto, as construtoras continuaram suas atividades, que no caso do Paraná foram consideradas essenciais, e o estoque de cimento está acabando. O mesmo acontece com o aço. Segundo me contou o presidente do Sinduscon do Paraná, os pedidos feitos às grandes siderúrgicas, como Gerdau e Arcelor, não têm previsão de data para entrega, o que é muito preocupante.
Também há falta de materiais derivados de PVC, pois com a pandemia, a indústria reduziu a produção de resinas e com o dólar em alta, a opção mais rentável foi a exportação, em prejuízo do mercado interno.
Rodrigo Assis considera que neste período difícil de pandemia é injusto que as indústrias pratiquem preços abusivos. O empresário alerta que os aumentos dos principais insumos se reflitam nos preços dos imóveis, pois a maioria dos contratos são corrigidos pelo INCC, que é o Índice Nacional da Construção Civil, e as incorporadoras não conseguirão manter sua tabela congelada. Outro receio, é que se os preços dos imóveis acompanharem esses reajustes, poderá haver uma fuga dos compradores. Ou seja, se não houver um choque de oferta urgente dos insumos básicos para a construção de imóveis, a memória inflacionária irá criar um caminho sem volta para a nossa economia.








