Governo mantém alíquota zero do IOF para operações de crédito

Governo mantém alíquota zero do IOF para operações de crédito

Estima-se que a demanda por crédito no Brasil, que já era grande antes do início da pandemia, em março, seja muito maior do que a quantidade de recursos liberados até o momento por meio dos programas criados pelo Governo Federal, principalmente os destinados aos micro e pequenos negócios.

Mas se nem todas as empresas que buscaram crédito junto aos bancos este ano tiveram sucesso, ao menos ainda poderão fazer novas tentativas contando com isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Na última sexta-feira (2/10), um decreto federal definiu que serão mantidas as alíquotas reduzidas a zero nas operações de crédito contratadas até 31 de dezembro.

A isenção foi concedida inicialmente em abril e prorrogada por mais 90 dias, em julho, vencendo no fim da semana passada. Para João Baptista Guimarães, especialista do Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC) da Federação das Indústrias do Paraná, a continuidade da alíquota zerada é uma boa notícia.

Impacto no valor final

“O imposto incide sobre as operações de crédito realizadas pelos bancos e tem um impacto significativo no valor final. Como está atrelado ao prazo de pagamento, pode representar até 3,38% do custo do financiamento”, explica.

Segundo Guimarães, a maioria das operações de crédito costuma ultrapassar o período de um ano para quitação. Por isso a medida é um bom incentivo, principalmente nesse período de pandemia, em que muitos empreendedores não têm escolha, precisam recorrer ao banco para manter a empresa ativa. “O custo do crédito no Brasil já é alto, com incidência de taxas de juros, tarifas bancárias e outros serviços. Então, toda economia que vier é bem-vinda neste momento. O valor pode parecer pequeno, mas vai estar disponível no caixa da empresa”, reforça.

Um empréstimo de R$ 100 mil, por exemplo, ao final do financiamento geraria um custo de R$ 3 mil com o IOF. “É um imposto alto. Essa economia pode cobrir gastos com pagamento de fornecedores, salários de colaboradores ou outras despesas para manutenção do negócio. Pensando nas pessoas físicas, é um recurso que vai circular na economia em vez de ser usado para fins de arrecadação”, completa.

Medida ajuda a preservar empregos

Segundo o especialista, a isenção do IOF, somada a outras medidas já tomadas – como linhas de crédito com condições diferenciadas para socorrer empresas, alternativas de garantias exigidas pelos agentes financeiros, prazos maiores de financiamento – ajuda a preservar empregos e a manter as empresas em funcionamento.

Na indústria, a prorrogação do imposto é bem vista principalmente para setores muito impactados pela pandemia, como o têxtil, de confecções e artigos do vestuário e o mecânico e de reparação de veículos, ligados ao setor automotivo. Além de concentrarem em sua maioria micro e pequenas empresas, eles também tiveram suas atividades quase que totalmente interrompidas, com queda expressiva no faturamento em março e abril.

“A recomendação do NAC para o industrial que ainda precisa de crédito é que pesquise, negocie e procure os bancos com quem já tem relacionamento para avaliar as propostas. Também é importante conhecer todas as linhas de crédito disponíveis antes de decidir por uma contratação. E, por fim, estar sempre atualizado sobre as novidades que vem sendo divulgadas, como essa isenção na alíquota do IOF, que vai gerar uma redução no custo final do financiamento”, conclui Guimarães.

Segundo o Ministério da Economia, só pelo Programa de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), principal linha de crédito para socorrer pequenos negócios durante a pandemia, foram concedidos até o dia 5 de outubro R$ 31,9 bilhões em todo o país. No Paraná, R$ 2,922 bilhões em recursos para 43,6 mil empresas foram concedidos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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