Mendonça de Barros aponta que reunião do FED vai encerrar cinco anos de crise global

O IBEF PR e a Grow Investimentos trouxeram a Curitiba o ex-presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros, que nesta terça-feira (17) abordou o tema “Brasil: o fim de um modelo ou ajuste cíclico”. Em sua apresentação, realizada no Palacete dos Leões do BRDE, ele aponta que as crises acontecem sempre e acompanham a dinâmica da economia de mercado. “Quem olhar para frente e apostar sempre no crescimento, mesmo diante das crises, será bem-sucedido”, afirma.
Ele afirmou que o mundo teve duas grandes crises de maior proporção, sendo a de 1929 e a de 2008. E acredita que a reunião do FED vai deixar para trás cinco anos de crise global. “Isso já pode ser visto nos Estados Unidos, que está crescendo e repercutindo pela Europa e deve se refletir no mundo todo”, assinala. Mendonça de Barros também traçou uma linha do tempo entre diversas crises econômicas que o Brasil passou desde o Plano Cruzado, quando era diretor do Banco Central, até as últimas crises vivenciadas no período do governo Dilma.
Para ele, o Plano Real, implementado por Fernando Henrique Cardoso, proporcionou estabilidade econômica, enquanto Lula percebeu que precisava deixar a economia de mercado funcionar para aumentar a distribuição de renda como instrumento de governo. “A história vai olhar o período de FHC e Lula como um momento único. Os dois mudaram a cara do Brasil”, compara.
No entanto, no governo Dilma, o erro foi não ter percebido que o modelo havia se esgotado e deveria ter freado o consumo. “Isso causou aumento da inflação e esgotamento da oferta. Estimular o consumo é como por fogo na lenha da inflação. Só não foi pior porque o Brasil tem arranjos institucionais que funcionam como anticorpos”, relata. Mendonça de Barros também alerta para o fato de que o cenário de mais demanda elevou a inflação mais do que deveria. A saída, segundo ele, seria o governo permitir que o setor privado invista. “Estamos vivendo uma crise cíclica e a terapia é o governo realizar a privatização do serviço público”, defende.
O analista assinala que não existe apocalipse, mas uma crise conjuntural mal gerida pela presidente Dilma e prevê reflexos para as eleições de 2014. “As eleições do próximo ano vão ser diferentes, porque a sociedade mudou e a conjuntura também. A economia global vai crescer mais do que a nossa no ano que vem e, quando a crise bate no bolso do eleitor, ele vota diferente”, vislumbra.


