Professor explica motivos que levam pessoas a se endividar

Um levantamento da administradora Boa Vista Serviços, que analisou as exclusões e inclusões no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) de setembro de 2011 até maio de 2013, apontou que mais de 56% dos consumidores que saíram do banco de dados do SCPC voltaram a se tornar inadimplentes após um ano. Além disso, três em cada dez consumidores voltam à condição de inadimplência três meses depois de “limparem o nome”. Segundo o estudo, isso ocorre, principalmente, pela falta de um planejamento financeiro mais rigoroso.

Daniel Weigert Cavagnari, professor de Administração Financeira e Orçamentária do Centro Universitário Uninter, explica que existem vários motivos que levam as pessoas a se endividar. Os mais comuns, segundo o especialista, levam justamente o indivíduo à condição de inadimplente novamente. “Um exemplo típico é a falta de controle. Podemos citar a pessoa que recebe R$ 1 mil, paga as despesas e continua mentalizando a posse dos R4 1 mil. Esta pessoa precisa e deve fazer o controle de caixa – entrada e saída- frequentemente e reservar pequenos valores para despesas descontroladas, como pequenos consumos. Caso não tenha habilidade ou se esqueça, deve pedir para alguém fazer, para evitar este erro”, fala.

Além disso, Cavagnari cita que muitas vezes a pessoa que se aproxima muito à condição de devedor, não percebe a necessidade de poupar o mínimo para imprevistos. “Na realidade, infelizmente, neste caso se encaixa a maioria da população”, afirma. O professor também comenta sobre uma condição interessante acerca das dívidas que, segundo ele, é a duração delas. “O credor espera o recebimento geralmente até 180 dias. Se após esse tempo ele não receber, a dívida chega a 100% de chance de não recebimento. O que vier depois é lucro. Muitos credores reduzem ou eliminam os juros nesse caso e muitos devedores se aproveitam desta situação e ela acaba se tornando um perigoso hábito”, diz.

Outro detalhe apontado por Cavagnari é da durabilidade das dívidas. Ele lembra que após os protestos ela só pode constar nos órgãos de proteção por cinco anos (a partir da data do registro do protesto). Após isso não poderá ser mais cobrada ou protestada em nenhuma circunstância e empresas e bancos que se arriscam a criar uma “lista negra” desses devedores estão sujeitos a pagar indenizações pelo que a justiça considera como abuso. “Não é regra, claro. Mas muitos indivíduos se aproveitam dessa condição. Fazem muitas e grandes dívidas e não pagam, dependendo de terceiros para financiamentos e contratos, por exemplo,”, destaca.

Para o professor de Administração Financeira e Orçamentária do Centro Universitário Uninter esse tipo de indivíduo é facilmente identificado, podendo ser nosso vizinho ou parente e, às vezes, acaba pedindo para que outros bem intencionados assumam dívidas em seus nomes. “É o famoso ‘emprestar o nome’. Minha dica para esse caso é: seja pai, irmão, parente, amigo ou conhecido, jamais empreste seu nome. Se não seguir meu conselho, um dia terá de pagar uma dívida que não lhe pertence e, pior, ter o nome sujo por um bem que nunca usufruiu. Ainda por cima sairá como o malvado da história, caso reclame”, finaliza.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *