Roupas fabricadas por detentos mineiros são exportadas para países do Mercosul

Trinta detentos do presídio de São Sebastião do Paraíso fabricam 190 calças jeans por dia.
Trinta detentos do presídio de São Sebastião do Paraíso fabricam 180 calças jeans por dia.

Empresas da Argentina, do Uruguai e do Chile contribuem, indiretamente, para o fortalecimento de um projeto de prevenção da reincidência criminal desenvolvido no Brasil. Esses países importam calças jeans produzidas no interior do presídio de São Sebastião do Paraíso, no sul de Minas Gerais. A fábrica emprega 30 detentos, que agarraram a oportunidade de construir uma vida melhor. Eles respondem por uma produção diária de 180 peças, destinadas à exportação e também ao abastecimento do mercado interno.

A iniciativa resulta de parceria entre a Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais e uma empresa situada em São Sebastião do Paraíso, a MGF Confecções, que montou a fábrica no presídio em agosto do ano passado. As atividades começaram com o emprego de 15 detentos. Desde então, em face do aumento da demanda, a linha de produção precisou ser ampliada. Hoje, 30 internos, no comando de 25 máquinas, costuram as roupas e, mais importante ainda, uma carreira profissional.

Antes da contratação, os apenados passaram por processo de avaliação criminológica, realizado pela administração do sistema prisional, e por curso de formação em corte-costura, oferecido pela empresa parceira. Hoje eles têm certificado profissional e são remunerados. O tempo de duração da pena, conforme prevê a legislação penal, é reduzido em um dia a cada três de trabalho. Para os detentos, cumpridores de pena no regime fechado, a fábrica é também uma chance de, pelos menos por algumas horas do dia, ficarem distantes da tensão das superlotadas galerias do presídio, que abrigam 313 internos em apenas 128 vagas.

Segundo o diretor da unidade prisional, Carlos Marcelo Rodrigues, é possível notar a melhora do comportamento dos detentos trabalhadores. Ele acrescentou que, desde o início das atividades da fábrica, nenhum deles desistiu do trabalho.

“É visível e notório, nas conversas que temos com os detentos envolvidos no projeto, que eles têm disciplina e educação, além da disposição para o trabalho e confiança no futuro. Totalmente diferente do que vemos nas galerias do presídio, junto aos presos que não trabalham”, afirmou o diretor do presídio. “A iniciativa está dando tão certo que há uma fila de 15 internos aguardando oportunidade de trabalhar na fábrica”, acrescentou.

O diretor informou ainda que o acordo firmado entre a empresa e a secretaria prevê a manutenção do emprego dos detentos, se assim eles desejarem, após mudanças no regime de cumprimento de pena ou até mesmo a conquista da liberdade. “Como a empresa possui unidades de produção fora do presídio, os detentos poderão sair daqui com emprego garantido e de carteira assinada. Eles só voltarão ao crime se quiserem, porque oportunidade de construírem uma vida melhor não falta”, destacou o diretor do presídio.

Ele explicou também que as roupas produzidas no presídio saem semanalmente de São Sebastião do Paraíso para uma distribuidora de Ribeirão Preto/SP, a 120 quilômetros de distância. No Brasil, parte da produção é vendida em lojas espalhadas em diversos shoppings. Nesta semana, segundo informou o diretor do presídio, deve começar a produção de camisas polo, com meta de 200 peças fabricadas por dia.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *