Setor de limpeza e conservação vive o drama da falta de mão de obra

Enquanto empresas de alguns setores da economia brigam desesperadamente para fechar novos contratos ou mesmo mantê-los, o segmento de asseio e conservação vem crescendo há vários anos consecutivos. Porém, as empresas do setor vivem um drama muito maior do que conquistar clientes, que é a falta de mão de obra e a alta rotatividade. Só no Paraná, 5 mil vagas estão abertas e não conseguem ser preenchidas por falta de interessados.
Eu conversei com o presidente do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação no Estado do Paraná, o empresário Adonai Aires de Arruda, e ele me informou que o setor que engloba 15 atividades, emprega diretamente só no Paraná, 50 mil trabalhadores. Em todo o Brasil, são 2 milhões de empregados.
Para tentar solucionar o problema da falta de mão de obra nas 400 empresas que atuam no Paraná foi criada a Fundação de Asseio e Conservação, a Facop, que com seus 5 mil metros quadrados de área, em Almirante Tamandaré, certificou 16 mil pessoas nos últimos 3 anos. Os cursos de qualificação variam de quatro horas até três meses, e 99,9% dos participantes já saem empregados.
Adonai Arruda me disse que sua empresa tem 37 anos de atividades, mas nunca viveu um momento tão complexo como o que está passando hoje. Hoje, a rotatividade média mensal é de 6%, o que significa que a cada 18 meses, cada empresa de limpeza e conservação troca totalmente o seu quadro de funcionários. Esta rotatividade não é decorrente de salários, mas é explicada pelo presidente do Sindicato pelo fato de que vivemos hoje um mundo de trabalho de 24 horas por dia e de sete dias da semana, com escalas. O que acontece é que a maioria dos trabalhadores não quer trabalhar nos sábados e domingos. Então quando abre uma vaga numa indústria, por exemplo, cujas atividades são de segunda a sexta-feira, imediatamente troca de emprego.
E a preocupação vai aumentar ainda mais este ano, pois dentro de 30 dias começam as contratações para a Copa do Mundo e depois para as campanhas eleitorais. Segundo Adonai Arruda, o Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação tem ampliado as parcerias com a Associação dos Deficientes Físicos do Paraná, com a Secretaria da Justiça para inclusão de ex-presidiários, e com a FAS, mas nem assim tem conseguido mão de obra suficiente.








