Depois de quase 10 anos, muitos empresários ainda desconhecem benefícios da Lei do Bem

Lei do BemA Lei do Bem (Lei 11.196/2005), que incentiva a inovação tecnológica nas empresas brasileiras, vai completar no ano que vem dez anos. E apesar de trazer uma série de incentivos fiscais às indústrias que desenvolvem atividades de pesquisa para a criação de novos produtos, processos produtivos e ou mesmo o aprimoramento dos já existentes, vem sendo pouco utilizada. De acordo com dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, apenas  787 indústrias de todo o País, sendo 245 da Região Sul, se beneficiaram do incentivo.

Eu conversei com  contador e advogado Carlos Tortelli, que atua há mais de 30 anos com auditoria e consultoria empresarial, e ele me disse que muitos empresários ainda desconhecem os benefícios da Lei do Bem. Pesquisas  recentes mostram que de 100 empresários de diversos setores consultados, 47% desconhecem os incentivos fiscais que a legislação proporciona.

Segundo Tortelli, entre os  incentivos previstos na Lei do Bem   destinados à P&D nas empresas, com usufruto de forma automática estão: a exclusão do lucro líquido e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, o valor correspondente de até 60% da soma dos dispêndios, classificados como despesas operacionais pela legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, realizados com P&D no Ano Base considerado; adição de até 20%, no caso de incremento do número de pesquisadores dedicados exclusivamente à pesquisa e desenvolvimento contratados no ano de referência; adição de até 20%, na soma dos dispêndios ou pagamentos vinculados à pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica objeto de patente concedida ou cultivar registrado. Os incentivos poderão chegar à dedução de 200% por ocasião do cálculo do lucro líquido, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ou seja, 100% das despesas com P&D da empresa + até 60% pelo incentivo concedido por parte do Governo Federal pelo fato da empresa realizar P&D + 20% pelo aumento de contratação do número de pesquisadores exclusivos + 20% pela concessão de patente ou registro de cultivar) desde que todos os projetos de P&D relatados tenham, de fato, gerado patentes ou cultivares registrados.

“Em um país que tem  uma das maiores cargas tributárias do mundo, tal benefício não tem sido explorado pelas empresas. Tanto em nível nacional quanto regional falta o conhecimento e a cultura empresarial dos benefícios da P&D como instrumento de Inovação Tecnológica e dos benefícios tributários que o Brasil oferece para modernizar produtos e ganhar competitividade internacional”, destaca o auditor.

Segundo Tortelli, a maior parte das empresas desenvolve processos de Inovação Tecnológica, mas desconhece como buscar o Incentivo Fiscal. “As empresas não têm a cultura de estruturação dos departamentos de P&D. O preço pago não é somente a perda de benefícios fiscais, mas vai além. Perde-se a modernidade de produtos e processos e, por consequência, há perda geral de competitividade”, explica.

A Lei do Bem beneficia empresas de todos os portes, mas para o aproveitamento do incentivo, é necessário uma boa gestão de dados e ter bons projetos. Neste sentido, as consultorias podem auxiliar na estruturação conceitual da pesquisa e na formatação dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento das empresas que são, em última análise, o elemento decisivo à obtenção do benefício.

Os empresários que têm dúvidas sobre a Lei do Bem poderão participar do workshop “Oportunidades para a Inovação no segmento Industrial”, no dia 26 de setembro próximo, às 14 horas, promovido em Curitiba, pela equipe técnica da Consult. O workshop contemplará uma apresentação dos conceitos gerais da Lei do Bem, correta interpretação da legislação, Risco na Eleição de Atividades de Inovação não sujeitas ao Benefício (Fiscalização pelas Autoridades Fiscais) e Necessidade de Controles dos Processos de Inovação Tecnológica. Mais informações pelo telefone (41) 3350-6000.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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