Otimismo dos industriais do Paraná para 2015 é o menor em 20 anos

Os empresários do setor industrial do Paraná não se mostram otimistas em relação às expectativas para 2015. Dados da 19ª Sondagem Industrial divulgados nesta quarta-feira (17) pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), mostram que 57,42% dos industriais consultados estão otimistas com os seus negócios no próximo ano; 35,81% estão pessimistas e 6,77% estão indefinidos. Este foi o menor nível de expectativas em 20 anos de pesquisa e está abaixo dos períodos de turbulência econômica. A pesquisa de 2014 apontou otimismo de 77% dos industriais e, em 2013, 84% do empresariado paranaense do segmento industrial tinham expectativas favoráveis.
Contribuíram para o pessimismo dos empresários paranaenses, o aumento da dívida interna, que superou a casa de R$ 2,2 trilhões em outubro, com as pressões sobre custos de rolagem e efeitos sobre os orçamentos públicos; o crescente endividamento externo contraído em grande medida para fomento ao consumo interno e não para a realização de investimentos; a expansão do déficit de transações correntes e que pode se agravar ainda mais pela acumulação de saldos negativos de divisas na balança comercial e a baixa taxa de investimentos.
Apesar do quadro adverso, o presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo, afirma que 2015 será o ano das oportunidades. Ele cita que entre os setores industriais que estão em processo de recuperação, os de base florestal e se o dólar continuar na casa de R$ 2,80, a indústria do vestuário terá melhores perspectivas para produzir internamente.
Para os empresários que mostraram otimismo para o próximo ano, 41,31% disseram que ocorrerão novos investimentos; 40,98% apostam no aumento, das vendas e 17,7% na elevação do emprego. Já entre os empresários pessimistas, que somam 35,8% do total, 45,2% não farão qualquer investimento em 2015 e 30% apontaram redução do emprego.
A 19ª Sondagem Industrial realizada pela Fiep apontou que a estratégia de maior importância a ser adotada pelas indústrias paranaenses em 2015 é a satisfação do cliente (62,37%). Em seguida aparecem o desenvolvimento de negócios (48,83%); desenvolvimento e inovação de produtos (34,15%); satisfação dos funcionários (30,66%); flexibilidade para incorporar novos produtos à linha (30,66%); desenvolvimento de funcionários (27,18%) e responsabilidade social (19,51%).
As indústrias do Estado que realizarão investimentos no próximo ano destinarão os recursos para a melhoria de processo (40,77%); modernização tecnológica (37,63%); produtividade (37,28%); desenvolvimento de produtos (30,66%); qualidade (29,97%); aumento da capacidade produtiva (29,27%) e recursos humanos (19,16%).
Quanto às fontes de recursos que serão utilizados para os investimentos, os industriais apontaram que eles se concentrarão em recursos próprios (64,8%); linhas de crédito governamental (40%); linhas de crédito privado nacional (16,72%); recursos internacionais (1,74%) e joint-venture (0,35%). Nenhuma indústria do Paraná pertence captar recursos em 2015 através do lançamento de ações.

Produtividade
Apenas 5,92% dos empresários paranaenses não registraram aumentos de produtividade em 2014. Já os que tiveram aumentos apontaram que o melhor gerenciamento de pessoal (40,77%) e a modernização tecnológica (31,71%) foram os principais responsáveis por esse crescimento da produtividade. De acordo com o economista da Fiep, Roberto Zürcher, considerando os investimentos em modernização tecnológica, eles estão vinculados quase sempre à utilização de máquinas e equipamentos modernos e derivam da circunstância de estar sendo prevista continuidade de melhoras de produtividade e na expansão do mercado doméstico.
Ainda segundo Zürcher, para melhorar a produtividade, os trabalhadores paranaenses estão sendo treinados 44 horas/ano. As formas de treinamento mais utilizadas são o treinamento no próprio trabalho e cursos internos.
Quanto às dificuldades para enfrentar a concorrência no mercado interno, os industriais que participaram da pesquisa apontaram a carga tributária elevada, seguida dos altos encargos sociais, o alto custo financeiro, mão de obra não qualificada, custo elevado de fabricação e altos custos de distribuição.

Câmbio
O coordenador do Departamento Econômico da Fiep, Maurílio Schmitt, explica que o câmbio elevado cria estímulos às exportações. “Como os preços das commodities estão em baixa, não dá para prever se a alta do dólar vai compensar o aumento das exportações. O dólar elevado também afetará as viagens ao exterior e o consumo de divisas”.
Schmitt afirma que outro efeito da alta do dólar será a pressão nos preços de alguns produtos, que resultará no aumento dos índices inflacionários.







