Fabricantes brasileiros começam 2015 com todo vigor

Os últimos dados coletados das empresas industriais brasileiras indicaram que os volumes de produção e de novos pedidos aumentaram simultaneamente pela primeira vez em dez meses em janeiro, levando a uma melhoria mais rápida nas condições operacionais. Porém, a taxa de expansão permaneceu modesta no geral, enquanto que o nível de empregos manteve-se basicamente inalterado em relação ao mês anterior. Ao mesmo tempo, outra valorização do dólar americano em relação ao real levou ao aumento mais acentuado de custos de insumos desde março de 2014.
Ao atingir 50,7, valor acima de 50,2 observado em dezembro, o Índice Gerente de Compras™ – HSBC (PMI™), sazonalmente ajustado – uma consolidação de dados criada para fornecer um resumo das condições operacionais da economia do setor industrial – registrou em janeiro a leitura mais elevada em um ano. Contudo, a melhoria mais recente nas condições de negócios foi, de um modo geral, modesta apenas e ficou abaixo da média de longo prazo para as séries.
A categoria de bens de consumo foi a de melhor desempenho entre os três grupos de mercado pesquisados. O nível de novos pedidos recebidos pelos produtores brasileiros de mercadorias aumentou pelo segundo mês consecutivo em janeiro. Além disso, o ritmo de expansão foi o mais rápido em um ano, embora tenha sido moderado, de um modo geral.
Os dados de janeiro também indicaram um segundo aumento consecutivo nos pedidos provenientes do estrangeiro no mês. Porém, a taxa de crescimento de exportações foi modesta no geral. Como resultado de registros mais fortes de pedidos, os fabricantes brasileiros aumentaram a produção no primeiro mês de 2015, pondo um ponto final num período de contração de quatro meses. Além disso, a taxa de crescimento foi a mais rápida desde dezembro de 2013, embora mais fraca do que a média histórica. Entre os subsetores monitorados, a produção cresceu mais rapidamente no de bens de consumo.
Apesar do crescimento dos volumes de produção e de novos negócios, os níveis de pessoal no setor industrial brasileiro ficaram basicamente inalterados em janeiro. A categoria de bens de consumo foi a única a relatar uma criação de empregos no início de 2015.
Ao mesmo tempo, a entrada de novos trabalhos e as exigências de produção subsequentes levaram as empresas a aumentar suas atividades de compra em janeiro. Porém, a taxa de expansão foi marginal apenas e quase inalterada em relação ao mês anterior. O crescimento mais recente nas compras de insumos contrastou com a redução de estoques de pré-produção no mês. Da mesma forma, os estoques de produtos acabados caíram pela primeira vez em três meses. Em ambos os casos, os entrevistados mencionaram a utilização das reservas de modo a minimizar o impacto do aumento dos preços de insumos.
Segundo os entrevistados da pesquisa do HSBC, os custos de insumos foram impulsionados pelo enfraquecimento da moeda em janeiro. A taxa de inflação de custos se acelerou atingindo o seu ponto mais acentuado em dez meses, e ficou acima da média observada ao longo de nove anos de coleta de dados. Como resultado, os preços dos produtos aumentaram por um ritmo mais acentuado em janeiro, com a taxa de inflação sendo também mais forte do que a tendência histórica. Os dados do setor indicaram que as pressões inflacionárias de custos e de preços cobrados intensificaram -se em todos os grupos de mercado pesquisados no mês.
Comentando a pesquisa PMI Produção Industrial Brasil, Andre Loes, o Economista Principal do Grupo no HSBC no Brasil disse que “o índice PMI HSBC Brasil subiu de 50,2 em dezembro para 50,7 em janeiro, com empresas reportando a primeira alta na produção em cinco meses. Por outro lado, as empresas também indicaram aumento da pressão sobre custos, provavelmente em função da depreciação cambial”.








