Crise na Venezuela traz oportunidades para frigoríficos brasileiros

A pedido da Venezuela, o governo brasileiro tem procurado empresas brasileiras para ajudar a garantir fornecimento de produtos básicos contra a grave crise econômica no país vizinho. A solicitação foi reforçada pelo presidente Nicolás Maduro em pelo menos dois encontros com Dilma Rousseff, em dezembro de 2014 e um dia após a posse da brasileira, em 2 de janeiro. O esforço brasileiro antecipa o que a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) pretende fazer nos próximos meses. No início de março, o bloco anunciou a criação de “redes regionais de apoio” para a distribuição de produtos básicos para a Venezuela. Um dos planos é justamente aumentar exportações para o país, que sofre uma crise de desabastecimento.
Diante esse cenário, o presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne), Antônio Jorge Camardelli, destaca a demanda por alimentos na Venezuela. “A despeito de qualquer tipo de crise, o alimento é certamente o carro-chefe da política de governo, e a carne bovina inevitavelmente está nessa linha, pela dificuldade de produção”, diz.
Apesar de afirmar não ter sido procurado pelo governo brasileiro sobre exportações para a Venezuela, o frigorífico JBS reconhece a oportunidade de negócios no país mesmo em meio à crise. Segundo sua assessoria, até os atrasos “que eram comuns já quase não existem”.
O Itamaraty vem advertindo empresas brasileiras sobre a escassez dos dólares no país e recomendando que recorram a mecanismos alternativos, como pagamentos em moeda local ou transações dentro da mesma empresa.








