Cesta básica sobe em 13 capitais

Em Curitiba, a cesta básica subiu 2,36% em março.
Em Curitiba, a cesta básica subiu 2,36% em março.

Das 18 capitais onde o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza a Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos, 13 apresentaram aumento do preço do conjunto de bens alimentícios, em março. As maiores elevações foram apuradas em Manaus (4,92%), Fortaleza (4,23%), Aracaju (3,23%) e Vitória (2,47%). As retrações foram registradas em Salvador (-2,79%), Brasília (-1,06%), Goiânia (-0,66%), Florianópolis (-0,45%) e Natal (-0,15%). Em Curitiba, a cesta básica subiu 2,36% no mês passado. O acumulado no ano é de 10,72% e em 12 meses a alta chega a 6,11%.

Em março, o maior custo da cesta foi apurado em São Paulo (R$ 379,35), seguido de Vitória (R$ 363,62) e Porto Alegre (R$ 360,01). Os menores valores médios foram observados em Aracaju (R$ 273,21), João Pessoa (R$ 288,43) e Natal (R$ 289,21).  Com base no total apurado para a cesta mais cara, a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família, com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário.

Em março de 2015, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 3.186,92, 4,04 vezes mais do que o mínimo de R$ 788,00. Em fevereiro de 2015, o mínimo necessário era ligeiramente menor e correspondeu a R$ 3.182,81, o que também equivalia a 4,04 vezes o piso vigente. Em março de 2014, o valor necessário para atender às despesas de uma família chegava a R$ 2.992,19, ou 4,13 vezes o salário mínimo então em vigor (R$ 724,00).

Em 12 meses, entre abril de 2014 e março último, o preço da cesta acumulou alta em 17 capitais, exceto Campo Grande (-0,59%). Destacam-se as elevações registradas em Aracaju (20,99%), Belo Horizonte (11,73%), Salvador (11,16%) e João Pessoa (9,60%). Os menores aumentos aconteceram em Porto Alegre (1,08%) e Florianópolis (3,62%).

Nos três primeiros meses de 2015, todas as cidades acumularam altas, que variaram entre 1,43%, em Florianópolis e 13,12%, em Salvador.

Em março de 2015, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 91horas e 59 minutos, cerca de uma hora a mais do que o de fevereiro, de 91 horas e 04 minutos. Em março de 2014, a jornada exigida foi de 93 horas e 49 minutos.

Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em março deste ano, 45,44% dos vencimentos para adquirir os mesmos produtos que, em fevereiro, demandavam 44,99%. Em março de 2014, o comprometimento do salário mínimo líquido com a compra da cesta equivalia a 46,35%.

Em março, produtos como pão francês, café em pó, óleo de soja, banana e tomate tiveram predominância de alta nos preços das capitais. Já o arroz, batata – pesquisada nas regiões Centro-Sul – e a farinha de mandioca – coletada nas regiões Norte e Nordeste – apresentaram retração de valor na maioria das capitais.

Em março, o pão francês registrou elevação do preço médio em 16 capitais, ficou estável em Manaus e teve queda em Fortaleza (-1,29%). Os aumentos oscilaram entre 0,12% em Curitiba e 5,26% em Aracaju. Em 12 meses, todas as cidades mostraram alta, com variações entre 0,28% em Natal e 28,26% em Aracaju. A falta de trigo de qualidade no mercado brasileiro, a importação mais cara do grão pela desvalorização do real, além do aumento da energia elétrica impactaram no preço do pão francês.

O preço médio do café em pó aumentou em 16 cidades, com variações entre 0,22%, em Recife, e 4,24%, em Campo Grande. As quedas aconteceram em Vitória (-2,07%) e Goiânia (-0,23%). Em 12 meses, o preço do café subiu em 17 capitais, com altas entre 0,28%, em Vitória e 18,65%, em João Pessoa. Apesar da oscilação do preço do café no mercado internacional, em março o produto fechou em alta. Por sua vez, os cafeicultores seguraram a comercialização, à espera de uma definição do valor de mercado.

A pesquisa indicou elevação do preço do óleo de soja em 15 cidades. Em Aracaju, não houve variação de valor e em Goiânia (-1,20%) e Florianópolis (-0,26%) ocorreu retração. As maiores altas foram anotadas em Curitiba (7,14%), Manaus (6,05%) e Porto Alegre (5,25%). Em 12 meses, nove cidades registraram queda, com destaque para Natal (-13,00%), Recife (-6,93%) e Goiânia (-6,82%). Em Salvador, o preço não se alterou. Oito localidades mostraram aumentos, sendo as maiores taxas observadas em Belo Horizonte (2,79%), Porto Alegre (2,71%), Manaus (2,46%) e Aracaju (2,33%). A desvalorização do real diante do dólar impulsionou as exportações e o preço interno do grão.

A banana subiu em 15 cidades, com destaque para Porto Alegre (15,73%), Curitiba (15,02%) e Rio de Janeiro (13,25%). As quedas foram verificadas em Natal (-4,40%), Salvador (-3,98%) e Goiânia (-2,97%). Na comparação anual, 12 cidades mostraram taxas positivas, principalmente Salvador (56,59%), Manaus (33,68%) e Fortaleza (17,78%). Outras seis localidades tiveram variações negativas, sendo a maior delas anotada em Campo Grande (-25,20%). A demanda de banana, em especial a nanica (ou caturra ou d´água), aumentou com o retorno às aulas, uma vez que a fruta é destinada à merenda escolar. Além disso, a seca influenciou na qualidade e quantidade de banana ofertada.

O preço do tomate aumentou em 14 cidades e apresentou variações entre 0,34% em João Pessoa e 29,93% em Fortaleza. As retrações foram observadas em Salvador (-17,62%), Campo Grande (-10,08%), Belo Horizonte (-0,22%) e Brasília (-0,21%). Em 12 meses, nove cidades apresentaram alta nos preços, com destaque para Belo Horizonte (54,48%) e Salvador (25,20%) e outras nove mostraram reduções acumuladas, sendo as mais expressivas em Porto Alegre (-38,17%) e Campo Grande (-33,33%). Março é considerado mês de entressafra do tomate, o que, somado às chuvas de fevereiro, causou impacto no preço do fruto no varejo.

A batata teve o preço reduzido nas 10 cidades do Centro-Sul, onde o item é acompanhado. As taxas oscilaram entre -12,58%, em Brasília, e -2,29%, em Curitiba. Nos últimos 12 meses, quatro cidades tiveram retração: Campo Grande (-12,61%), Vitória (-10,55%), Rio de Janeiro (-3,12%) e Florianópolis (-2,48%). Já os aumentos acumulados variaram entre 5,08% em Goiânia e 43,09% em Belo Horizonte. A colheita nas regiões de Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul abasteceram o mercado da região Centro-Sul, reduzindo o preço do tubérculo.

A farinha de mandioca, pesquisada nas regiões Norte e Nordeste, apresentou diminuição de preço em todas as cidades, exceto Aracaju (1,03%). As maiores quedas aconteceram em Natal (-6,94%), Fortaleza (-5,15%) e Salvador (-4,36%). Na comparação anual, todas as capitais 5 tiveram retrações, com destaque para as variações acumuladas de Natal (-37,60%) e Manaus (-35,15%). A oferta expressiva da raiz diminuiu as cotações da farinha.

O preço do arroz diminuiu em 11 cidades, ficou estável em quatro (Brasília, Belém, Recife e João Pessoa) e aumentou em Campo Grande (2,27%), Vitória (2,29%) e Aracaju (3,18%).

As maiores quedas foram anotadas em Manaus (-7,22%) e Florianópolis (-6,12%). Em 12 meses, o valor do produto aumentou em 17 cidades, exceto Porto Alegre (-0,88%). As maiores taxas foram verificadas em Salvador (23,01%) e Aracaju (19,29%). Altos estoques e baixa demanda têm diminuído as cotações de arroz.

Em março, o preço do leite voltou a aumentar em 12 das 18 cidades pesquisadas. As altas variaram entre 0,34%, em João Pessoa, e 10,25%, em Porto Alegre. O valor do leite ficou estável em Manaus e Aracaju e diminuiu em Goiânia (-5,34%), Natal (-3,48%), Salvador (-1,90%) e Recife (-1,26%). Em 12 meses, o preço do produto acumulou alta em 11 cidades, oscilando entre 0,52%, em Porto Alegre, e 17,08%, em Brasília. As retrações mais expressivas foram registradas em Salvador (-11,03%) e Belém (-6,56%). Março é o mês de início da entressafra do leite na região Sul, o que explica a elevação na maior parte das cidades.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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