Para Dallagnol, Lava Jato é esperança e inspiração

Deltran Dallagnol: a operação Lava Jato já alcançou 150 pessoas e produziu um feito inédito na história brasileira.
Deltran Dallagnol: a operação Lava Jato já alcançou 150 pessoas e produziu um feito inédito na história brasileira.

“Vale a pena lutar pelo nosso país e eu não vou desistir”, foi o resumo da mensagem transmitida pelo procurador da República, Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato, nessa quarta-feira (12) durante reunião-almoço do Rotary Clube Curitiba Centro, na sede da Associação Comercial do Paraná, em colaboração com o Conselho Político da entidade do setor produtivo. O evento teve a participação dos presidentes Antonio Miguel Espolador Neto, da ACP, e Brasílio Teixeira de Brito, do Rotary, além de dezenas de convidados.

Desde 2003 no Ministério Público Federal, depois de passar um ano estudando na Universidade Harvard (EUA), onde se especializou na legislação de combate ao chamado crime de colarinho branco, Dallangnol foi um dos procuradores federais que atuou, há alguns anos, no caso Banestado.

Coordenador da Lava Jato, que considerou “uma esperança e inspiração para a sociedade brasileira”, o integrante de maior relevo após o juiz federal Sérgio Moro, Dallagnol abriu a exposição enfatizando que sua missão pessoal “é servir à sociedade, porque foi ela quem nos contratou para a realização desse trabalho”.
Segundo ele a operação já alcançou 150 pessoas e produziu um feito inédito na história brasileira, ou seja, “a devolução aos cofres públicos de R$ 850 milhões do resultado da propina”.

O resultado é promissor, frisou, porque nos demais processos de corrupção investigados até agora “o total devolvido não passou de R$ 45 milhões”. Lembrou, ainda, que no caso investigado pela Lava Jato, o Petrolão, o total estimado da propina é de R$ 6,2 bilhões. “Entretanto, como muitos afirmam, esta é apenas a ponta do iceberg, pois a própria Organização das Nações Unidas (ONU) admite que o total da corrupção no Brasil é de R$ 200 bilhões anuais”, observou.

Caso esse dinheiro não escorresse pelo ralo da corrupção, em grande medida como produto da majoração indevida do custo final das obras públicas, “o governo teria recursos financeiros para aplicar três vezes mais em educação, duplicar os serviços de segurança pública ou tirar 10 milhões de pessoas da miséria absoluta em que se encontram atualmente”, disse.

Com base na legislação implantada em muitos países e, nesse aspecto o procurador Deltan Dallagnol sublinhou o exemplo de Hong Kong, ex-possessão britânica no território continental da China, “onde a corrupção era sistemática e endêmica nos anos 60 e 70 do século passado”, foi montada a Operação Lava Jato com o objetivo de transformar a realidade que coloca o Brasil no 69º lugar entre os países “que menos providências assumem no combate à corrupção”, revelou citando dados da Transparência Internacional.

O procurador reconheceu que “a Lava Jato não conseguirá mudar toda a situação, mas servirá de esperança e inspiração para a sociedade, pois é ela que tem nas mãos a capacidade, pela atuação de entidades como o Rotary Clube, a Associação Comercial do Paraná, as igrejas e tantas outras, de concretizar as mudanças necessárias”.
Ressaltou que no pacote contra a corrupção três medidas são indispensáveis para o êxito: prevenção, punição exemplar e devolução do dinheiro roubado e o fim da impunidade. O procurador defendeu também penas mais rigorosas para os envolvidos na prática da corrupção.

Ao encerrar, Deltan descreveu o projeto de lei de iniciativa popular denominado “10 Medidas Contra a Corrupção”, que visa obter 1,5 milhão de assinaturas em todo o território nacional a fim de ser apresentado ao Congresso Nacional.

O projeto dispõe sobre propostas legislativas para aprimorar a prevenção e combate à corrupção e impunidade, entre elas a condenação do enriquecimento ilícito, o aumento das penas para a corrupção e a transformação em crime hediondo quando se tratar de altos valores auferidos ilegalmente, permitir a punição de partidos envolvidos com a corrupção e criminalizar o caixa dois e lavagens eleitorai

A íntegra das medidas e suas justificativas estão disponíveis no site www.10medidas.mpf.mp.br  

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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