Os economistas e o Bico do Corvo

A comemoração dos sessenta e cinco anos de regulamentação da profissão do Economista, neste treze de agosto de 2015, chamada de “o dia do Economista”, coincide com o estágio recessivo mais intenso registrado pelo Brasil desde 1990, quando o então presidente Collor promoveu o bloqueio de mais de 80% dos ativos financeiros, conhecido dramática e popularmente como o “confisco da poupança”, como justificativa para a destruição, sem êxito, da hiperinflação.
Atualmente, gerido por uma economista de carteirinha, o País assiste a reprise do filme intitulado “estagflação”, cujo roteiro é baseado na convivência perversa entre inflação alta e ascendente e forte retração na produção, nos negócios, nos níveis de emprego e na massa salarial. O Brasil deve fechar o ano contabilizando queda superior a -2% do produto interno bruto (PIB) e inflação acima de 9%.
A nação está rigorosamente no “bico do corvo”. É pior dos mundos, agravado pela percepção social acerca do desaparecimento de lideranças competentes e éticas e da ausência de alternativas partidárias. Infelizmente, Ulisses Guimarães, Teotônio Vilela, Tancredo Neves, Franco Montoro, Mário Covas, Miguel Arraes, José Richa, dentre outros autênticos expoentes da política nacional, não mais podem organizar e integrar as costuras institucionais.
Sem dúvida, a superação desse embaraço exigirá a negociação coletiva de uma agenda programática de transformação, capaz de relocar a formulação e execução das reformas estruturais no elenco de prioridades à retomada sustentada do crescimento e rechaçar o emprego de meros curativos em feridas expostas, expressos na enganosa proposta de ajuste fiscal, do Ministério da Fazenda, e na oportunista pauta, recentemente oferecida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, novo ídolo da presidente da República, adicionada do regresso, à mesa de negociações, de Sarney e de Lula, que, segundo consistentes diagnósticos, seriam os verdadeiros artífices da tragédia atual.
Em entrevista concedida ao jornalista Kennedy Alencar, levada ao ar na quarta feira (12.08) à noite, no jornal do SBT, a presidente Dilma demonstrou, de um lado, cega aposta no êxito do “acordão do andar de cima”, propiciado pela reaproximação do executivo com a fração conservadora do legislativo, e, de outro, completa confusão a respeito do cenário econômico, associando-o ainda a uma suposta crise internacional, produzida pela queda das cotações globais das commodities.
Por certo, o Economista será peça chave na restauração dos pilares para um novo e duradouro ciclo de expansão. Dotado de retaguarda matemática e social, este agente carrega inúmeras habilidades para o exercício de tomadas de complexas decisões voltadas ao equacionamento de problemas em realidades em contínua mutação.
Sua função básica é elaborar estudos de viabilidade ou, mais precisamente, calcular, antecipadamente, as possibilidades de êxito de um projeto específico ou de toda a política econômica de um país. Seu trabalho consiste em estudar e planejar minuciosamente para que os negócios deem certo e/ou alcancem os melhores resultados, mesmo quando os recursos são escassos, aliás, principalmente nesses casos, dado que a economia é também conhecida como a “ciência da escassez”.
Por conseguinte, sua contribuição social repousa na preparação do terreno para a diminuição dos riscos e o aumento das chances, apontando para as pessoas, empresas e instituições os melhores caminhos para o alcance do sucesso em seus empreendimentos.
Parabéns a todos os meus colegas, englobando profissionais de mercado, professores, pesquisadores e, sobretudo, estudantes, os verdadeiros diamantes a serem lapidados. Merecem cumprimentos especiais os encarregados pela condução dos cursos de Ciências Econômicas no Estado do Paraná, e os economistas Sérgio Hardy e Juarez Trevisan, que, com o apoio de suas excelentes equipes, conduzem, com extrema competência, transparência e ética, os destinos do CORECON-PR e do SINDECON-PR, respectivamente.
Felicidades a todos.
O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, economista, professor e editor da Revista Vitrine da Conjuntura da FAE Business School.



