Falta mão de obra para produção de calçados

Além do alto custo de produção no Brasil, a indústria em geral, especificamente a calçadista, vem sentido outro problema grave: a falta de mão de obra qualificada. E mesmo que o setor esteja sentindo os efeitos da recessão tupiniquim, o que já fez com que o nível de emprego no segmento caísse 7,5% no primeiro semestre – conforme o IBGE -, ainda existe espaço para funções específicas, especialmente na área técnica da produção de calçados. Recente levantamento realizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontou gargalos na área de pesponto, confecção e montagem de calçados.

A falta de mão de obra qualificada, porém, traz à tona outro problema, muito mais grave e de ordem cultural: a falta de interesse dos jovens quanto ao trabalho na indústria calçados. Não faltam cursos, faltam alunos. A realidade é demonstrada no drama atual do Centro Tecnológico do Calçado Senai, sediado em Novo Hamburgo/RS. Desde a década de 70 oferecendo serviços para o segmento de calçados, o instituto pode perder um dos seus auxílios mais importantes, o Curso Técnico em Calçados que desde sua fundação formou mais de mil profissionais para o setor.

Segundo a diretora do CT do Calçado, Arlete Accurso, desde 2011 não existe demanda para a formação de uma turma do curso técnico. “Precisamos de 40 alunos para formar uma turma e não conseguimos chegar a esse número”, lamenta, ressaltando que para 2015 o curso já foi cancelado, pois as inscrições encerraram no dia 30 de agosto sem o número suficiente. “É preciso uma força tarefa da iniciativa privada que resgate a vontade do jovem de trabalhar no setor calçadista, trazendo profissionais potenciais e de destaque para virem fazer os cursos técnicos”,  aponta a diretora, acrescentando que, tendo sucesso, o curso poderá ser realizado em 2016.

A Abicalçados, por sua vez, está participando na busca de sensibilizar o setor calçadista para a importância do CT do Calçado para o futuro da atividade.  Conhecido pela resiliência em momentos conturbados, o setor calçadista sempre teve a escola como aliada. A possível perda do curso técnico gera preocupação para a entidade representante dos calçadistas.

Para o presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, que encaminhou carta para associados sobre o tema, é preciso uma mobilização setorial para “salvar” o Curso Técnico da escola e mantê-lo como aliado do segmento.  “O fim do Curso seria um prejuízo irreparável para a indústria calçadista”, alerta o executivo, acrescentando que o tema será debatido na próxima reunião do Conselho Deliberativo da Abicalçados.

O Curso Técnico em Calçado do Senai prepara os profissionais para atuação em diferentes áreas de uma empresa: Coordenação de equipes; Solução de problemas técnicos na produção de calçados; Planejamento, programação e controle da produção de calçados; Gestão e controle da qualidade de calçados; Gestão de recursos; Definição de ficha técnica e modelagem técnica de calçados; Compras de matérias-primas, apuração e controle de custos industriais; e Administração de conflitos.

Conforme Arlete, o Senai possui uma estratégia didática diferenciada, desafiando o aluno a aplicar todos os conhecimentos vistos nas aulas, em situações que simulam a realidade, em laboratórios de CAD, CAM, controle da qualidade e prototipação. O curso tem 1,2 mil horas divididas em dois anos de estudos. O investimento é de R$ 2,7 mil e alunos com carta de apresentação de empresa contribuinte do Senai têm desconto promocional de 8% no valor das mensalidades.

Mais informações sobre os cursos pelo telefone 51 3904 2720 ou e-mail [email protected].

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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