Consórcio de imóveis caminha na contramão do mercado e cresce mais de 50% no primeiro semestre

A crise que o Brasil vem atravessando há quase dois anos afetou muitos segmentos da economia, porém o mercado de consórcios, principalmente o de imóveis, vem caminhando na contramão, registrando crescimentos expressivos. Eu conversei com a diretora do consórcio Ademilar, Tatiana Schuchovsky Reichmann, e ela me explicou que o desempenho positivo dos consórcios imobiliários tem como justificativa a restrição de crédito imposta pelos bancos públicos e o aumento das taxas de juros.

No ano passado, por exemplo, a demanda por cotas de consórcios imobiliários em todo o País registrou um crescimento de 41,5%, segundo informações da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios. Na Ademilar, que é a pioneira no consórcio de imóveis, o crescimento em 2015 foi de 18%, mas nos primeiros seis meses deste ano, a venda de cotas cresceu 53% em relação a igual período do ano passado. A justificativa é que além da maior demanda por parte de investidores, a Ademilar ampliou para 42 as unidades de atendimento nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Tatiana Reichmann me disse que o consórcio de imóveis tem algumas particularidades em relação aos demais, principalmente no que se refere a investimentos. Só para se ter uma ideia, 70% das pessoas que adquirem um consórcio de imóveis buscam a compra do segundo imóvel visando o aumento do seu patrimônio e a consequente aposentadoria imobiliária. Mas também tem muita gente que compra uma cota de consórcio para reformar seu imóvel quando for contemplado. Outra forma de ganhar dinheiro com o consórcio imobiliário é vender com ágio a cota contemplada. Neste caso, se o consorciado foi contemplado no início, o ágio chega a até 100% do valor.

Eu perguntei à diretora da Ademilar qual é o perfil dos compradores de consórcios imobiliários e ela me disse que basicamente é formado por pessoas das classes A e B. Já a população da classe C dificilmente compra este tipo de consórcio porque o seu rendimento não comporta o pagamento de aluguel, mais a prestação do consórcio. Na Ademilar, por exemplo, 86% dos consorciados compram mais de uma cota, sendo que o crédito mais vendido é de R$ 170 mil. Mas, dependendo do consórcio, a cota pode chegar até R$ 700 mil. Os prazos variam de um mínimo de 60 meses e máximo de 240 meses, ou 20 anos.

A grande vantagem do consórcio é a pequena taxa de administração cobrada, de 0,1% ao mês ou 1,2% ao ano. Se colocarmos na ponta do lápis todas as taxas embutidas, elas pesam ainda menos no bolso dos consumidores que os juros praticados pelos financiamentos. Outra vantagem é que é possível usar o FGTS para completar o valor da carta de crédito e adquirir um imóvel de valor mais alto, quitar as parcelas que estão por vir, ou então usar o fundo para oferecer lances na assembleia de contemplação. Entretanto, para ter acesso ao FGTS, é preciso atender algumas exigências como ser contribuinte há no mínimo três anos e usar os recursos na aquisição de imóvel residencial.

Confira as simulações do consórcio Ademilar:
1ª assembleia prevista para setembro/2016 – Prazo de 240 meses (20 anos)

CRÉDITO DE R$ 175 MIL
Valor da parcela:
Parcela reduzida (70%) – calculada com contribuição de fundo comum reduzido até a contemplação, quando será recalculada.
R$ 760,59 (após a 10ª parcela)

Parcela em 100%
R$ 986,63
Taxa administrativa (24% em todo o plano):
Total (240 meses): R$ 42 mil
Mensal: R$ 175,00

CRÉDITO DE R$ 300 MIL
Valor da parcela:
Parcela reduzida (70%) – calculada com contribuição de fundo comum reduzido até a contemplação, quando será recalculada.
R$ 1.303,86 (após a 10ª parcela)

Parcela em 100%
R$ 1.691,36

Taxa administrativa (24% em todo o plano):
Total (240 meses): R$ 72 mil
Mensal: R$ 300,00

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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