Com o fim da turbulência política, setor energético espera a consolidação do mercado livre no País

As últimas alterações no cenário governamental podem marcar o fim de um longo processo de turbulência política, essa é a expectativa que está mudando o ânimo do setor elétrico no país. “Esperamos que algumas medidas que encaminham o segmento para um cenário positivo avancem, agora que o Congresso Nacional pode retomar o seu ritmo. Uma delas é a análise e votação do PL 1917/2015, que propõe ajustes no modelo setorial, possibilitando a consolidação do mercado livre de energia”, afirmou o diretor técnico da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Alexandre Lopes.

Ele foi um dos palestrantes da Plenária de Abertura da 14a Latin American Utility Week (LAUW), principal encontro de utilities da América Latina, que acontece até quinta (15) no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O projeto apresenta, entre outras coisas, mudanças como a possibilidade de, a partir de 2022, os consumidores escolherem os fornecedores de energia, além de permitir que o mercado livre participe dos leilões de expansão. “Isso é essencial para a concretização do mercado livre no país”, completou Lopes.

O presidente da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos acredita no crescimento do mercado livre, mas com cautela. “Os desafios para esta expansão estão na financiabilidade, pois o setor não tem condições de fazer isso sozinho. O crescimento do mercado livre tem que ser sustentável”, disse durante a Plenária de Abertura da LAUW. Entre os países da América Latina, o Brasil é o que mais impõe restrições para entrada dos consumidores no mercado livre, segundo levantamento da Abraceel.

A perspectiva de um período de calmaria política também anima Nelson Leite, presidente da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia), que participou da plenária de abertura da 14a Latin American Utility Week (LAUW). Ele espera que seja retomado o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com o objetivo de estimular as empresas prestadoras de serviço público nas áreas de distribuição, transmissão e geração de energia elétrica a aplicar, anualmente, um percentual mínimo da receita operacional nesta área.

“Tudo ficou parado por conta da crise política”, ressaltou Nelson Leite. “O programa é uma oportunidade histórica para rever o modelo de governança do setor elétrico e de sugerir mudanças ao governo. Além disso, fomentar a atração de investimentos no segmento e permitir a ampliação do mercado livre. O país ganha, portanto, um modelo atraente com regras estáveis”.

O Brasil apresenta grandes perspectivas de investimento no setor de energia e tem potencial atrair investimentos internacionais. A opinião é de Lynn Tabernacki, diretora do Grupo de Energias Limpas e Renováveis da OPIC (Overseas Private Investment Corporation), instituição financeira para o desenvolvimento, mantida pelo governo norte-americano. Ela participou do primeiro dia de plenárias da 14a Latin American Utility Week (LAUW).

Lynn argumenta que para conquistar o interesse internacional, o governo brasileiro precisa ser pragmático e oferecer previsibilidade para o mercado. “Todos os projetos precisam de solidez, com regime regulatório previsível e facilidade para empresas estrangeiras atuarem no país. Além disso, a estabilidade política é fundamental para atrair investimentos, pois a economia está diretamente ligado a isso. Vocês têm ótimos atributos para implantar projetos e vi aqui na LAUW que caminham para um avanço regulatório no setor”, ressalta.

Ela vai além: “O Brasil é um dos maiores mercados de energia do mundo. Vocês têm 99% do país com acesso à energia. Isso é incrível. Eu conheço nações em que o índice não passa de 5%”. A OPIC investiu cerca de US$ 1 bilhão nos últimos cinco anos em 85 projetos de energia renovável e limpa ao redor do mundo.

As empresas brasileiras do setor de energia têm excelência em tecnologia, com capacidade para atingir patamares mundiais de qualidade, mas sofrem com as dificuldades financeiras, observou o presidente da UTCAL (Utilities Telecom & Technology Council Latin America), Dymitr Wajsman. Ele participou do primeiro dia de plenárias da 14a Latin American Utility Week (LAUW). “Vivemos em uma aldeia global e as variações cambiais dificultam qualquer business plan”, disse.

Wajsman defende que o setor pode evoluir com ações integradas de políticas públicas e clareza na regulação. “Passamos por um período político paralisante e agora precisamos andar em frente. Estamos em uma crise real e precisamos de estratégias e medidas regulatórias claras para avançar”, destacou. Sobre a LAUW, o presidente da UTCAL disse: “É um evento importante que permite ao corpo técnico das empresas o contato com a última palavra em tecnologia, além de promover o debate nos seminários”.

Um dos destaques da 14a Latin American Utility Week (LAUW) é a feira com cerca de 45 marcas expositoras. São fornecedores de equipamentos, tecnologias e soluções para automação de redes, geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia, medição de energia, água e gás e smart grids apresentando soluções inovadoras para o mercado da América Latina.

Um exemplo é a Landis+Gyr, que apresenta na LAUW os medidores de linha residencial e industrial/comercial que trazem inovadoras opções de comunicação para integração de redes inteligentes. “A Landis+Gyr orgulha-se de estar sempre a frente em sua capacidade de desenvolvimento tecnológico e oferecer as melhores soluções e serviços a seus clientes”, diz o CEO da empresa na América do Sul, Marcelo Machado.

Quem aposta em novidades, também, é a Friendcom, que apresenta as soluções da rede CellMesh, amplamente usadas em ambientes mais severos no mundo inteiro, com a experiência de mais de 32 milhões de pontos implantados. A CellMesh é a autoformação de rede inteligente de sensores sem fio. Pelo seu alto desempenho na comunicação bi-direcional no AMI, é comprovada ser uma escolha madura e de baixo custo-benefício para Neighborhood Area Network (NAN).

E para fechar o primeiro dia de evento, a Clarion Events, organizadora da Latin American Utility Week, ofereceu aos presentes um cocktail. Na quarta-feira, dia 14, a feira começa às 09:30 com extensa programação de palestras e os lançamentos das mais de 60 empresas que participam do evento.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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